Esse final de semana realmente foi pra lá de cem, foi tanta coisa boa que teria que matutar as idéias pras escrevê-las numa ordem ou então citar algumas de forma aleatória, e, é o que eu vou fazer agora.
Viajei pras “Antas”, encontrei velhos e bons amigos, sobrinho sangue-bom, visitei um amigo que esteve muito doente e se recupera de um derrame. Foi muito legal ver a satisfação dele ao nos receber, assistimos até ao DVD do Gregory Isaacs, jamaicano mestre do reggae.
Mas eu fui principalmente pra assistir ao casamento da filha de um amigo meu. Um cara gente fina, do tipo: “Todo mundo fala bem”. Que casamento bacana, vários carecas como eu, muitas pessoas bonitas, velhas amigas já não tão novas, o tempo não perdoa, sou testemunha viva disso. Ali, duas coisas interessantes me chamaram a atenção:
1- Um dos músicos do casamento, velho amigo meu, me chamou e depois do abraço me mostrou outro jovem músico e disse: “ – Cara, ele ta doido pra te encontrar, tu não vai acreditar o que ele me falou… Quando ele era pequeno o pai dele pegava aula de violão na nossa Escola de Música e como ele gostava de desenhar na sua mesa enquanto esperava, você falou que pra ele ser um grande desenhista teria que ter além do talento uma assinatura de artista e criou uma pra ele. “O cara hoje é artista, pintor e usa a mesma assinatura que você ensinou.”
Ainda não vi sua arte, mas to de cara até agora, to curioso e certamente vou conhecer melhor o trabalho dele. Meu batimento deve ter ido pra lá de cem.
2- O pai da noiva, meu amigo, visivelmente emocionado e não por menos, em sua fala entre outras coisas disse: “ Essa é minha filha querida, a primeira, aquela que aprendi a trocar as fraudas, a dar banho, passar talquinho, aquela que me fez amar mais a Deus…” E Olhando pros olhos disse: Eu e sua mãe estamos muito felizes por esse momento, momento que não poderia ser imaginado, até porque eu vivo cada dia intensamente, não deixo que ansiedade do amanhã me tire a paz, mas preste atenção, de hoje em diante, depois de Deus, a pessoa mais importante, aquela que você deve amar mais nessa terra, não é sua mãe, não sou eu, ou as suas irmãs, família, você deverá amar ao seu esposo” E falou a mesma coisa pra ele.
Foi de prender a respiração, um pai falar uma parada dessa não deve ser fácil. Estamos num mundo em que a frase imediata é: “esposo vira ex-, namorada vira –ex, sogro vira –ex, cunhada vira –ex, mas pai, mãe, irmãos, não. Esse é o padrão da sociedade moderna onde casar é só uma etapa e a probabilidade de se separar é um fato considerável, e como. Mas os padrões do meu amigo, pai da noiva, são outros, são profundos, na cabeça dele essa possibilidade é zero, ele falava com plena convicção de que aquela união pública foi selada primeiro no céu. Enfim, foi uma das coisas mais bonitas que já ouvi num casamento. Um cara pra lá de cem.
No domingo cedo, eu estava de volta a Brasília pro ensaio final do nosso Musical de Natal. Fizemos uma festa como eu gosto, eu e todo mundo lá da Comunidade. Nada de trenó, chaminé, neve, ursinho, “ Jingle Bells” e olha que eu tenho uma foto ao lado da placa, na esquina onde foi composta essa música nas proximidades de Boston, e tudo começou com corridas de trenós.
Nossa festa teve uma baita produção, até porque um maluco lá levou um caminhão do tamanho daqueles de entregas da Casas Bahia, hehe!! Cheio de equipamentos de som e iluminação, o cara é doido.
Fizemos questão de compor músicas com a nossa cara, com os mais variados sotaques brasileiros, com cavaco, violões, viola caipira, muita percussão e uma linguagem e cenário bem contextualizados pra contar e cantar nossa visão de Natal “O Jesus nascido em Belém (não do Pará, né Bio?) mas bem VIVO entre e em nós” Dessa vez foi tudo filmado e pretendemos futuramente dispor isso em DVD pra que outros usem esse material como ferramenta de propagação do nome do Mestre.
Nota dez pros mais de sessenta envolvidos no Musical que rolou no domingo a noite com direito a reapresentação na segunda, e casa cheia nos dois dias. Vocês não são dez, são pra lá de cem.
Domingo depois da primeira apresentação e da rodada do pizza na casa do diretor musical, cheguei em casa super feliz, tomei um banho e liguei a televisão. Oscar Niemayer estava sendo entrevistado. O homem que segundo um apresentador da Band é tão conhecido lá fora quanto Pelé, o gênio das curvas que segundo seu sobrinho, ficou muito feliz quando o médico liberou que ele voltasse a fumar sua cigarrinha (Cigarro cuja mortalha é um fragmento de folha de fumo. Aurélio), o cara que desenhou Brasília, a cidade que encanta o mundo por sua arquitetura, e avenidas e concretos e tesourinhas e a Catedral de Brasília, uma de suas melhores obras. Quem vem a Brasília não pode deixar de ir à Catedral e tem um macete curioso pra curtir a acústica da igreja: Duas pessoas, uma em cada extremidade da parede encostando o ouvido naquele pequeno vão à meia altura podem conversar cochichando a uma distância considerável sem que os outros ouçam. Fiz isso com meu pai outro dia.
Na entrevista Oscar falou de muitas coisas. Do seu amor ao trabalho, da beleza fundamental das mulheres, de suas obras pelo mundo, etc. Confesso que sou fã da obra desse velhinho, mas quando o jornalista lhe perguntou:
- Você tem uma ligação muito forte com a religião através das belíssimas igrejas que você desenhou, eu te pergunto, você acredita em Deus?- Sem pestanejar ele disse:
- Eu não creio em nada, a ciência explica tudo, não me importo com quem crer, mas me contento com a ciência.
Alguém já escreveu “De que me adianta ganhar o mundo inteiro e perder a minha vida?” é uma referência a alma, para aqueles que crêem em Deus. O problema é que aqueles que crêem, sofrem com a incredulidade dos ateus. E não é só por sua fala, até porque aquele que não conhece é como o que não vê, e, é muitas vezes melhor que aquele que conhecendo faz uma “oração pedrosa” hipócrita, abençoando um dinheiro sujo.
Espero que o mestre da arquitetura tenha tempo e disposição pra conhecer o Senhor das linhas, das curvas, da arquitetura e da ciência. O Senhor da criação. Oscar acaba de completar 102 anos, ele também é um cara pra lá de cem.
Um xêro pra quem gosta da gente.
Todo mundo já deu ou pegou uma carona.
Ja faz um tempo, talvez uns 30 anos. Eu me deparei com uma situação embaraçosa. Minha mãe por uma razão que não me lembro e acredito sem dúvidas que estava cheia de razão, ficou muito nervosa comigo e disse quase que gritando na frente dos meus amigos





