“O meu Natal é você” Foi com essa frase e ao som de aplausos fervorosos que um grupo musical fechou sua apresentação na abertura de um programa de expressão nacional, na noite dessa terça-feira, semana de Natal.
Ao mudar de canal vi um grupo que fazia abertura de um programa com vozes e danças, muito bonito por sinal, mas a música fechava o seu desenvolver sincronizando gestos e sempre apontando pro público em “O meu Natal é você”. Obviamente referindo-se a um bem, um(a) namorado(a), um grande amor ou até mesmo a um sonho utópico. Essa era a mensagem “natalina” do grupo. Inclusive caracterizado pelas roupas vermelhas com detalhes brancos nas mangas e golas.
Não é segredo nem novidade dizer que o sentido verdadeiro do Natal foi trocado entre outras coisas, por um senhorzinho simpático, mas que não lembra o nosso avô nem na roupa. Não é segredo saber que as decorações estão carregadas de partículas brancas que “ lembram” neve. E aí fica estranho uma coisa me lembrar, algo que nem conheço. Fazer o quê? Não é segredo saber que as pessoas até sabem que é comemoração do nascimento de Jesus, o problema é isso não fazer nenhum sentido.
A proposta é entender que Natal é programar uma boa ceia, desejar o bem a todos e consumir tudo que tiver direito e seu cartão suportar dividir. Até porque as promoções estão aí, os amigos secretos são oportunos e a gente só precisa completar com palavras tipo: Muita paz, sorte, trabalho, felicidade e saúde, o resta a gente corre atrás. Os especialistas dizem que a roupa branca ajuda a trazer paz ao ambiente e à vida.
Alguém perguntou no facebook “Vocês tem visto presépios por aí?” É provável que sim, mas a cada dezembro a tendência é que tenhamos cada vez menos. Tanto na presença quanto no sentido.
As músicas praticamente são as mesmas, mas o foco é festejar e comprar. Ou seja, precisamos aproveitar. É época de presenteamos amigos e famíliares, recebemos presentes e até de dizer: “Eu mereço me presentear com isso”. O clima é tão envolvente que facilmente podemos nos pegar dizendo “ Isso é que é Natal”. Pronto! Indiretamente nos tornamos o centro. Não é a intenção que é má, é o foco que é distorcido, é a influência que é forte.
Eu gostaria de me ver muito distante disso, mas estou por aí, em algum lugar desse quadro.
Verdade é que nem tudo é Shopping Center. Nos últimos dias ouvi muita reflexão boa sobre os riscos da inversão de valores principalmente nessa época, ouvi várias músicas exaltando o menino Jesus, recebi vários e-mails com mensagens de fato natalinas, fiz até uma música “Casa Aberta” pro Musical Santa Folia, falando da alegria que é receber Jesus em todos os sentidos, a partir do senhor que recebeu em sua propriedade, José e Maria nos dias de dar a luz. Provavelmente em um lugarzinho na lateral de sua casa.
Feliz foi aquele senhor anônimo que abriu suas portas pra aquele casal. Ai eu viajo… Será que a esposa dele com a peculiar sensibilidade feminina, não foi lá dentro e pegou um lençol limpinho e deu a Maria? E uma toalha com água morna pra sua testa? E alguns biscoitos com chá? E a impaciência genética de ficar indo e voltando, perguntando se precisa de algo? E aquela coisa que mulher nenhuma resiste… Olhar e pegar um bebê recém-nascido?
Nós homens ficamos sensibilizados quando nascem nossos filhos, as mulheres ficam, quando nasce uma criança. E quando essa criança é a própria luz?
Não sei por que, mas quando penso naquele lugar que certamente era onde ficavam os animais da casa, tendo a pensar em um algo simples, mas não imundo, com cheiro de animal, mas não fedorento. Imagino que aquela estrebaria era, entre todas da região a mais limpinha. Era aquela onde as crianças da casa gostavam de brincar, era onde quando nascia uma ovelhinha os vizinhos passavam horas apreciando e sugerindo nomes. Um lugar onde a vaquinha que também fornecia o leite pro café da manhã e quem sabe até o senhor distribuía pra algum vizinho, passava a noite sentindo seu bezerro dormir quentinho. Um lugar onde certamente os animais eram mansos e conviviam em harmonia, onde havia calor, luz e ventilação. Deus escolheu a dedo aquele lugar. Não poderia ser um lugar qualquer. Imagino aquele cantinho como a mais bem cuidada casinha de animais da cidade.
O indiscutível e unânime é que Jesus nasceu numa estrebaria. Sim, só insisto que existe quarto e quarto, curral e curral, assim como estrebaria e estrebaria. Aquela era a estrebaria.
Tudo bem, digamos que há divergências. Que a releitura que cada um faz olhando pro texto dos evangelhos é percepção particular. Certo! Só não aumenta e nem diminui a simplicidade de um rei que de fato poderia ter nascido na enfermaria de seu Reino, mas nasceu entre coisas e pessoas simples. Nasceu numa estrebaria na cidade de Belém da Judéia.
Agora, uma coisa eu posso dizer com toda convicção da minha alma “Você não é o meu Natal, meu amor”.
Um xêro pra quem gosta da gente.
E a vida! E a vida o que é? Diga lá meu irmão…
Eu sou um cara das antigas… Sou do tempo que apelido não doía, olhe! Peninha, Coração de Papel, Zé Gordão, Seu Mim, Ôi de Bomba, Bafo de Onça, Veim, Contra Pino, Robô, Braço de Radiola, Dedo de Aço (eu mesmo) e tantos outros. Todo mundo tinha o seu.
Nesses últimos dias, três cenas me marcaram profundamente:
Sexta feira, eu estava em casa pronto pra pegar minha viola, dar uma dedilhada e ficar olhando pra cima pra ver se cai alguma coisa do céu, que nem aluno quando não sabe a matéria em dia de prova. Eu falo por experiência: Música e letra até que já caiu, mas resposta de prova nunca caiu não, siô! Hehe.
Sai domingo bem cedo, ainda meio escuro e com chuva fina, pra uma viagem “solitária” de 150 km de Brasília a Anápolis. Parei no Jerivá pra tomar o tradicional café com pão de queijo, derretendo de quente e segui meu destino. Presídio Municipal de Anápolis.
Minhas férias de julho foram tão tranqüilas quanto tirar um doce de uma criança. Aliás, o que eu vivi durantes esses dias, qualquer um poderia ter vivido. Quer ver só? Vou citar só quatro coisas.
Somos uma família nordestina de muitos irmãos, somos tantos que meu pai quando quer chamar por um de nós ele fala o nome de pelo menos cinco pra acertar um, ele grita: Chico, Toin, Jorge, Juscelino, Januáro. E ele queria falar só com Januário, mas é que confunde mesmo. Somos aquele tipo escadinha.