Uma tarde de maio, um ano atrás…
Caramba! A exatamente um ano atrás eu recebi uma das piores notícias da minha vida. – “Você teve uma dissecção da Aorta abdominal”. Mais feio que o nome é o que isso significa.
Comecei a passar mal e corri (2 dias depois) ao médico, afinal eu sou brasileiro e não tinha plano de saúde (e nem tenho, aliás, agora é que ninguém quer fazer, e se quizesse eu não daria conta mesmo). O primeiro médico me disse que era só um problema digestivo e me passou alguns daqueles remédios começados com Diges…(alguma coisa), tem mais de mil nas DROGArias. Com dores horríveis na região abdominal e costas, começei a me preparar psicologicamente pro “pior” uma gastrite braba ou até mesmo uma úlcera. Grawrfrs!!!!
Depois de várias tentativas e vários médicos, fiz uma Endoscopia, uma Ecografia (não deu nada), então fiz uma Tomografia Computadorizada (essa além de cara, mostra até o bofe do sujeito). Depois ainda fiz uma Angiotomografia, nem queira saber o que é isso.
Não esqueço aquela tarde, lá pelas 3h, quando recebi uma ligação. Era o médico (e olha que esse caras não ligam pra ninguém, a não ser que seja paciente antigo, amigo ou no máximo amigo do amigo) Pois o cara me ligou, e foi só aquela vez, até hoje ele não sabe se eu tô tocando na glória ou por aqui mesmo. E eu posso garantir-lhe que ainda estou por aqui. Eu não sou uma “alma”.
Como a doutora que fez o exame é esposa do gastro, ela passou direto pra ele o resultado, daí, ele criou coragem e me ligou. – Boa tarde, aqui é o dr. M… do Hospital Anchieta-DF e eu não tenho boas notícias não. O seu problema é mais sério que pensávamos, seu exame apresentou um rompimento na artéria, por isso, as dores, e você deve fazer 3 coisas urgente:
1- Fique tranquilo, você é forte ( eu pensei: “Forte só se for no suor”).
2 Não faça esforço nenhum ( eu tinha acabado de jogar sabão na área e esfregado) vixii !!!
3- Procure um médico Cardiovascular agora, seu problema é seriíssimo, possivelmente os médicos vão te operar hoje mesmo, isso mata. Quase que eu falei : “Só se for de novo, por que eu acabei de morrer”. É mole?
Eu sentei olhei pra cima e falei – Meu Deus e agora! O médico, que se quer quis me dar o número do celular, acabara de me ligar dizendo que eu tive um estreitamento da aorta, logo após as ramificações para os rins (um tipo de trombose). e que em alguns casos, nem dá tempo de chegar à emergência. É bye Bye Brasil, rumo à glória.
Esse tipo de dissecção dá em: pessoas HIPERTENSAS ( a minha pressão era e é 12/8, mais normal que andar pra frente), pessoas FUMANTES a pelo menos 30 anos (nem que eu quisesse eu daria conta porque sou alérgico do tipo que chora de espirrar), e por último, pessoas acima de 70 ANOS ( eu até tô meio derrubado pra 45, mas nem tanto, as aparências enganam he!!) . Ou seja, eu não estava dentro do perfil, mas o exame era meu. Pra resumir, fui internado imediatamente e o meu médico (esse sim é fera ) pediu pra que eu o autorizasse a fazer cópias dos exames por que meu caso não tem precedente no Brasil e eles queriam estudar, me acompanhar e futuramente lançar em revista especializada. Deus é tremendo! Além de me livrar dessa ainda rola uma chance de ficar famoso. Brincadeira visse!!
Confesso que quando eu recebi a notícia naquela tarde de maio, cheguei a pensar que se eu pudesse, trocaria minha AORTA “fragilizada” por uma HORTA de família de japonês, daqueles viciados em trabalho, que fornecem pra Ceasa. Melhor uma horta pra capinar que uma aorta pra consertar. Me vi impotente, mas lembrei que sou filho do onipotente e o ONIPOTENTE é aquele que pode todas as coisas. Nada lhe é impossível, quanto mais uma artéria nordestina de 45 anos, rompida.
A moral é que, como passou-se muitos dias até eu ser internado, os médicos concluíram que seria melhor não me operar entendendo que o pico da gravidade (hemorragia interna) já havia passado e que o organismo àquela altura deveria estar absorvendo o coágulo, concordou a junta médica Cardiovascular do Hospital de Base – DF. Se o diagnóstico tivesse sido nos primeiros dias, eles teriam me operado (operação de risco, mas procedimento certo). Essa foi “por um beiço de pulga”. A cirurgia é aquela que começa abaixo da goela, atravessa os peitos e vai até o Oriente Médio. Credo! No meu quarto tinha um senhor (com mais de 70, hipertenso e fumante a mais 40 anos) operado da dita cuja. O trem é feio cumpadi!
Ainda tomo remédio, sou acompanhado pelo médico e levo uma vida normal sem exageros. Segundo o último exame estou quase zerado. Graças a Deus estou aqui contando a história e posso garantir uma coisa com todas as letras; em nenhum momento eu questionei ou me revoltei contra Deus. Ele é meu Senhor, e além de meu Senhor, Ele é meu Pai, e o Pai sabe o que é melhor pros seus filhos.
Se você conhece alguém que não acredita em Deus, mande vir falar comigo. Eu sou uma prova viva de que Deus existe.
Uma tarde de maio, um ano depois…
Um xêro pra quem gosta da gente.
Rubão


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