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mai

Ipê Roxo

   Postado por: Rubao   em Papo aberto

ipe-varios.jpgÉ mais um fim de tarde… O sol já se esconde por entre os telhados desbotados da cidade e os galhos empoeirados das árvores. Seus raios avermelhados, misturam-se às nuvens cinzentas e sombrias. Mais um fim de tarde, onde a poluição de buzinas e fumaças se junta aos gritos da meninada que sai da Escolinha Pingo de Gente, Brinquedo Mágico, e tantas outras; elas são tão parecidas que parecem a mesma, soltam seus meninos no mesmo “britânico” horário, costumam ter sempre um grandalhão empurrando os mais fracos, um monte de pais que mais parecem não reconhecer seus próprios filhos e pelo menos um gordinho correndo com a camisa toda suada e suja.

O picolezeiro ainda tenta sua última tacada e consegue, com o gordinho é claro! Tudo como no dia anterior.

A cidade esta sendo observada por um homem, no auge dos seus quarenta e poucos, esforçando-se pra aparentar menos. Ele saiu pra sua caminhada diária no calçadão. Tudo como no dia anterior. Aquele moço que sempre caminha de calça preta, óculos escuros, fone no ouvido e um celular não tão pequeno, mas bem ajustado no lado esquerdo da calça, tava lá; também aquela moça que passa correndo com seu cachorrinho de raça não se sabe se pelo simples fato de amar o bichinho, de ter uma companhia ou pela esperança de que alguém peça o telefone do cãozinho; e aquela velhinha que quer ser gatinha e não abre não de forma alguma da sua roupinha de malhação sempre justa àquele diga-se, corpinho;  o playboy tatuado, sempre sem camisa e com uma cara de quem foi à luta (talvez na Segunda Guerra), porque depois disso é inacreditável alguma manifestação nesse sentido; sem falar da bermuda que apesar de grande é visivelmente mantida a um palmo abaixo daquilo que qualquer outro ser vivente usaria. Mas temos que reconhecer que todo calçadão que se preza tem pelo menos meia dúzia desse “tipo”, afinal, quem iria mexer com todas as gatinhas; ah! não podia faltar aquela senhora, certamente pentecostal com seu tênis branquinho e não pelo tênis, mas pelo seu inabalável jeito de compenetrada, um discreto saião geralmente em cor neutra, um inconfundível coque bem arrumado e um ar de quem não está muito à vontade, até porque nem sempre é possível não olhar o que vem pela frente, então o jeito é conviver, pessoas sérias (no caso ela) e com pessoas profanas (os seminus); e pro fim, sempre se destacando entre os outros mortais a rapaziada dos aparelhos disputando barras, paralelas, pranchas de abdominal, marca de tênis, boné, bermudão…Ufa! Quanta cultura! Contando sempre com a providencial paradinha pro “construtivo” bate-papo regado a risadas e uma impressionante concordância sobre tudo; festas, “músicas”, garotas, ostentações, aminoácidos, piadas imorais, vestibular, etc; é claro! alternado com aquela voltinha pra exibir seus músculos, e como acontece em qualquer lugar de malhação do planeta, eles acham que estão bem próximos do Stalone (no auge), é questão de tempo. Realmente, uma eternidade.

Mas é sempre assim, nada chama a atenção, nada de novo, parece que tudo parou, parece que algo triste esta no ar – Pressente o homem. Ah! não sejamos injustos, pensou ele querendo confrontar-se,  tem alguém que tá sempre bem humorado, sorridente, é aquele bombeiro militar que fica lá no último quarteirão do calçadão com uma mesinha e duas cadeiras pra medir a pressão de quem quizer, é de graça, mas poucas pessoas lhe dão atenção, passam de lado e se quer dizem olá! boa tarde, tudo bem? O impressionante é que desta vez, por incrível que pareça nem o bombeiro está transmitindo alegria, ele perece triste, como triste está a tarde e tudo – Pensava o homem.

Já voltando pra casa, desencantado e com um olhar fixo em qualquer coisa bem longe dali, ele percebe como que saindo do nada, aquele Ipê roxo, imponente, perecendo alheio a tudo e a todos como quem diz: eu não me deixo abater. O homem para, e em pensamento conversa com a árvore. Até porque àquela altura do campeonato valia qualquer coisa, nada muito a perder.

-Oi Ipê Roxo! como você consegue se manter tão bonito e colorido com tanta poluição e tantas pessoas mal humoradas? olhe em sua volta que contraste. a prática de esporte com rostos pálidos, saúde e desânimo. Não sei se você vai me entender, mas isso parece coisa do Armagedom, o fim do mundo. Eu heim! Posso imaginar o que você já viu e ouviu de murmuração durante todo esse dia, não deve ter sido fácil.

O Ipê ficou em silêncio balançando-se de um lado para o outro se mexendo todo de tal forma que sua folhagem perecia ter expressão; um rosto com olhos, testa, ouvidos, boca; um rosto. E o seu balançar crescia impressionando ainda mais aquele homem que maravilhado desarmou-se, permitindo ouvir sua voz:

- Não são as pessoas que estão pálidas e tristes e não é o mundo que está acabando, pelo menos por enquanto. É você que não está bem, mas esse sentimento ruim e pesado não combina com você. – Disse em tom forte o Ipê Roxo.

- Ué! Quem disse que você me conhece? e desde quando árvores falam? é você mesmo quem está falando ou isso é uma daquelas pegadinhas sem graça? pra onde devo dar o tchauzinho?  – Questionou o já confuso e desconfiado homem.

O experiente Ipê, com estilo de psicólogo moderno e acostumado a fazer de suas sombras um divã, não deu a mínima e continuou:

- Você é um cara bacana, eu diria até um artista e um artista convive com pessoas e depende delas, do jeito delas, como elas são; “a arte faz de um canto, em qualquer canto um encanto”, porque o verdadeiro artista é aquele que consegue hamonizar arte com simplicidade e isso não é mérito seu e nem meu; quem dera! É daquEle que fez você e eu, o Deus lá de cima que também está por aqui. Nem eu, nem você fomos criados pra tisteza, por isso leve sempre a alegria com você.

Muitas pessoas que você vê chorar, choram porque se alegram contigo, você mesmo é assim, um tremendo chorão; só que eu prefiro te ver sorrindo, pulando, brincando, dançando, e por falar em dançando, posso ser sincero? Não fique bravo não heim! É que tu não estás com essa bola toda. Hehe! mas deixa pra lá! O que importa é sua festa, sua alegria, sua brincadeirinhas muitas delas sem graça, mas é isso que faz bem pra todos nós. Pode acreditar.

- É verdade. – Disse o já não tão desanimado homem.

- Levanta a cabeça rapaz, manda esse baixo-astral pra longe, você está cheio de vida, e só pra lembrar; tem uma galera enorme que te curte assim do jeito que você é. Você é importante cara! Eu boto a maior fé em você.

- É isso aí! você tem razão Ipê, eu estava precisando ouvir essa, tirar a trave do olho; a gente se descuida e cai no erro de achar que é forte e que só os outros se abatem; isso me faz lembrar um provérbio “Quem está em pé, cuidado para que não caia” acho que serve pra você também! (risos), obrigado pela força Ipê. Valeu mesmo!

- De nada! sempre que precissar você já sabe, esse é o point, e; estamos aí, ou melhor aqui.

- Hum! (risos) Mais uma vez, valeu Ipê.

-Valeu!

- Até a manhã.

- Até.

* Engraçado, agora que eu percebi; perto da minha casa tem um calçadão e lá no final sempre fica uma bombeiro e não é que tem um pé de Ipê roxo por lá rapaz! Que coincidência, fiquei de cara.

Um xêro pra quem gosta da gente

Rubão

bruno - vitoria es
 1 

brother ,tou desesperado ,tou querendo comprar um dos cds da banda mas num axo em lugar nehum!!!por favor como faço p comprar o cd na “terra brasilis”…urgent por favor me responda!!!!

maio 9th, 2008 at 17:16
Rubão
 2 

Cara,
acho que vai ser mais fácil você comprar via internet. segue endereço:

http://www.submarino.com.br/cds_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=2&ProdId=238216&franq=134562

abraço

maio 9th, 2008 at 21:05
bruno `- vitoria es
 3 

vla pela dica aew irmão!!aew eu tenho uma banda d reggae cristão ,se vc tive afim d dah uma olhada lah no som dagent tah o endereço aew : http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/david_roots/

abração irmão!!!good vibes…

maio 12th, 2008 at 18:59
Rubão
 4 

Aê Bruno, curti legal a pedra da David Roots, muito maneiro o som. O lance é esse mesmo, pé na estrada e Jesus no coração.
abraço pra tchurma aí.

maio 13th, 2008 at 20:04
lia
 5 

Só sendo maranhense mesmo!!!!

junho 8th, 2008 at 22:54
Priscilla
 6 

É.. aquele que *pensa* estar em pé, cuide pra que não caia.
Sabe, ontem eu tava lendo a Palavra, e vi que não podemos nos achar demais, mas tb não podemos nos achar de menos. Pra tudo, equilíbrio. Quem poderia por um segundo ficar totalmente em pé na presença do Todo-Poderoso Deus? Eu que não..
Bênção essa sua mente fértil. Glória a Ele! ;)

outubro 13th, 2008 at 11:50

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