16
fev

Qual o preço de uma prostituta?

   Postado por: Rubao   em Papo aberto

maos.jpgComecei o Ano Novo cheio de propósitos e metas, coisa que todo mundo faz nas suas juras de fim de Ano. Uma delas era perder peso. Um cara de 1,72m, careca, beirando os 46 anos e pesando murchando a barriga 81 kg não tava bem na fita. Em alguns momentos eu me sentia rolando em vez de caminhando. Hehe!! To atacando de 76 Kg, isso sem murchar a barriga (que não quer dizer nada, mas pra foto…). Não Parei com a gorducha coca-cola, não faço regime, não dispenso um churrasco, mas ando diariamente 6 Km e ainda entrei pra pelada que a galera da Comunidade ta fazendo toda segunda-feira no Mackenzie. Pros que me acompanham sabem que há um ano isso seria impossível dado o meu grave problema de saúde, Mas Deus que é maior que os problemas ta me concedendo essa graça mesmo que recomeçando pela banheira, e ai daquele que não tocar a bola pra mim. Rsrs.

Há quase dois anos sem jogar bola, meu finado tênis de futsal foi arrebatado e eu improvisei minhas peladas com um tênis de caminhada que por sinal é horrível pra jogar ainda mais pra quem estava parado, acima do peso e tropeçando nos próprios pés. Finalmente resolvi comprar um tênis novo, oficial, coisa de peladeiro profissional.

Quem conhece Taguatinga-DF sabe onde fica a Praça do Relógio, o centro comercial onde estão todas as lojas de material esportivo como é em toda cidade. Pense num cara eufórico! Eu mesmo, afinal era segunda-feira e eu poderia estrear com tênis novo pra desespero dos zagueiros e goleiros adversários. 5h da tarde, e eu tinha que agir rápido. Parecia marcação, mas na loja que achei o modelo certo, não tinha o tamanho, enfim, fui em cinco lojas com direito a repassar em 3 delas isso tudo sem grande evolução na minha frenética busca, por fim refiz os planos econômicos e optei por um tênis bem mais caro, mas tão confortável, leve e bonito que da até dó de sujar. Rsrs.

O centro de Tagua (tinga) não muda muito se comparado a São Luis, Anápolis e Goiânia, cidades que conheço bem. Entre uma loja e outra existe umas portas que dão a uma escada ou corredor com algumas moças minusculamente vestidas, maquiadas e com ar de quem tem algo a ofereceu, e tem. O próprio corpo. Não sei qual o “preço” daquelas moças, mas não faz muito tempo que saiu no jornal de Brasília que meninas estavam se prostituindo por até R$ 1,99.

Na minha correria entre as lojas eu não as vi, passei batido, mas vindo da loja com um par de tênis novo, satisfeito e sem correria passei pela terceira vez no mesmo lugar e percebi que tinha uma “dessas” moças em pé sorridente e mexendo com quem passava ali, e só aí, foi que eu percebi que elas estavam ali e provavelmente estarão hoje e amanhã como mais um produto no centro comercial. Eu vi a moça em pé, mas percebi que tinha outras espremidas nas escadas do corredor e uma delas me olhou e continuou me olhando e eu a olhei nos olhos. Ela não conseguia rir, nem falar, nem se mexer, apenas deixou o semblante cair e me fitou os olhos como quem não tinha sido vista a dias ou anos. Ela estava ali como as outras dizendo com seu corpo: “Quanto você paga por mim? Aceito proposta e contraproposta”. Mas seu olhar sem muita vida, sem muito brilho me dizia: “Socorro! Help! Estou morrendo. Alguém, por favor, ouça meu olhar!” Que situação constrangedora, quase morri encucado com aquilo. Num primeiro momento eu tive vontade de jogar pedras vendo a moça mexer com todos, num segundo eu queria ajudá-las ou pelo menos ouvir o grito calado daquela alma condenada à vulgaridade e a humilhação de comer das migalhas que qualquer um pode paga por seu corpo. Essa certamente a radiografia de todas inclusive aquela em (de guerra).

Conta o Grande livro de História que uma mulher chamada Raabe, assim como aquela moça, era prostituta, talvez a mais famosa que história conheceu. No auge de sua “miséria humana” Ela era conhecida por sua vulgar profissão num tempo em que apedrejamento era como festejo de São João no interior, uma festa, mas ela foi corajosa e escondeu em sua casa 2 espias (missionários de Deus) e quando os perseguidores a mando do rei de Jericó chegaram para prendê-los ela disse: “Eles estiveram aqui, mas chagando a noite se foram e não sei onde estão, se vocês correrem talvez os alcancem”. Com essa atitude de proteção ela correu todos os riscos até por que sendo prostituta não era alguém que se confiasse, ela os escondeu no terraço de sua casa entre uns talos de linho que havia arrumado. Como sua casa fazia parte do muro da cidade ela os desceu por uma corda, mas antes, olhando nos olhos os fez prometer que se lembrariam dela e de sua família. A palavra dela dizendo que jamais diria por qual caminho eles foram, valeu mais que a moral de toda uma cidade com seus títulos de cidadãos, festas de 15 anos, formaturas do primeiro filho, bon$ casamentos e número de mandatos de políticos moralistas.

Aqueles homens ficaram escondidos onde só ela sabia e nunca foram achados. Tempos depois eles voltaram com um forte exercito e mataram e destruíram tudo e todos, mas Raabe foi poupada e teve sua dignidade restaurada. A história é interessante e recomendo que você a conheça melhor. (Josué 2 a 6)

Vale a pena ouvir a voz de um olhar, não sei como ajudar aquela moça do corredor, mas aquele olhar me falou muito mais que muitos poemas e scraps cheios de flores brilhando com textos adocicados de auto-ajuda. O olhar tanto de Raabe quanto da moça do corredor me ensinam hoje que o tempo esta para pensar em ajudar ao próximo e não em qual produto vai limpar melhor o meu umbigo. Uma prostituta não tem preço ela já foi comprada pelo SANGUE que já foi derramado no madeiro.

Ah! Acredite se quiser! Raabe foi mulher de Salmon possivelmente filho de Calebe e mãe de Boaz e de sua descendência nasceu Jesus, o nosso Salvador. (Mat.5-1)

Um xêro pra quem gosta da gente.

Rubão

7 comentarios para

Giovanni Barbosa
 1 

Grande Rubão,
Aproveita a nova temporada nos gramados, é sempre bom um retorno a uma atividade tão prazerosa, mesmo que o atacante esteja sempre plantado na banheira.
Profundo o texto sobre essa realidade que conhecemos bem aqui em Taguatinga.A maioria das mulheres residem em cidades dormitórios do entorno e lá possuem seus filhos,mães, maridos que muitas vezes não sabem qual sua principal atividade.Semana passada fui comprar passe estudantíl para meus filhos no Fácil, que deveria mudar o nome para difícil, enfim em plena nove horas da manhã uma cena me chamou atenção,uma mulher em uma daquelas esquinas dormia em um banco, um tamborete como nós conhecemos no maranhão, dormia porque provavelmente passara a noite acordada para levantar algum dinheiro e aquela cochilada me chocou, muitas vezes passamos nem percebemos como relataste bem, o apelo de socorro.
Grande abraço.

fevereiro 17th, 2009 at 11:14
Elga -SJ Campos
 2 

Legal cara, por iso que sou sua fã…rsrsrsrs
Te vejo no Som do Céu.
Bjs

fevereiro 18th, 2009 at 14:32
Silvio Simões
 3 

Bom dia querido Rubão,

maravilhosa a sua reflexão…muito edificante!
Um gde e carinoso abraço.

fevereiro 18th, 2009 at 14:33
Adriano Sousa
 4 

E aê Papai! Você entrou o ano com o “pé direito”. Aquele mesmo, que faz gol de letra… que com o apenas um movimento e sem tocar na bola dá um drible de corpo…
Valeu por mais uma reflexao que com certeza tem abençoado muitos!
Deus lhe deu um coração sensível e um dom que não vejo em muitos que conheço!
Um abraço!

fevereiro 20th, 2009 at 10:22
Rubão
 5 

Ola queridos,
Giovanni, Elga, Silvio e Adriano são essas experiências e tantas que vocês com certeza tambem tem pra contar que nos conclamam pra olhar pro “mundo” à nossa volta. Tem muito mais coisa acontecendo do que o nosso almoço domingueiro com a família e …
Obrigado pela visita e palavra de força
um abraço pros marmanjos e
um beijo pra Elga

fevereiro 20th, 2009 at 16:16
dalci
 6 

Rubão, querido, não esqueço de e vc e sempre leio suas reflexões e já as tenho usado nas minhas aulas de EbD.
Beijão.

fevereiro 24th, 2009 at 0:34
Rubão
 7 

Oi Dalci,
Obrigado por suas palavras e seu carinho.
Deus te abençoe
beijo

fevereiro 25th, 2009 at 19:08

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