Uma das pragas que o século XXI herdou do século XX, foi a ansiedade, que sempre existiu, mas estamos convivendo com este ser invisível num grau alarmante que pega do doutor ao servidor. Sem falar que ela trouxe consigo a Depressão e a Síndrome do Pânico, eu mesmo conheço algumas pessoas próximas que conviveram ou convivem com este mal.
Pois bem, esses dias andei me sentindo extremamente ansioso e sem grandes razões, mas ciente de que elas existem. Tudo tem uma causa que por sua vez cria uma reação. Descobri cá com meus botões que é por causa dos dois shows que farei nos próximos dias. Não deveria ser razão pra tanto, já faço isso a mais de 16 anos, mas…
Sabe aquele friozinho? Sempre me acompanha. Ainda mais que a timidez, eterna e fiel companheira, não troca de parceiro. Um dos meus problemas com a timidez não é o fato de ser, mas é o de ninguém acreditar. Caramba! As vezes até penso que é gozação. “Neguinho” vem nuns papos tipo: “Cara, vamos lá. Você pega o microfone a agita a galera enquanto começa.” Humm! E ainda tem aqueles que dizem: “Cara, vou marcar pra você dar uma palestra na minha Faculdade” Nossa! Só de pensar, já tô suando.
Sou um cara detalhista, o que não quer dizer organizado e produtivo, parece que os detalhes às vezes ficam por conta de coisas irrelevantes, de qualquer forma… Ontem resolvi “chutar o balde” conta a ansiedade. – Quer saber? Pensei eu. – Vou comprar um camisão discreto (?), uma boina invocada, dar um trato no sandalhão de couro e vou correr pro abraço. Pra ser exato, corri pro calçada pra meu roller diário. Maravilha! Fato é, ficar em casa pensando e pensando… Não tá com nada. O lance é sair de casa, olhar vidas, e ai, você descobre que esse tempo é necessário para que sua mente tenha liberdade de respirar, além da barriguinha que da um leve toque de sumiço e a sensação de atleta do ano.
Na minha caminhada pelo calçadão, viajei legal nas idéias e fui de Paulo a Djavan. Paulo diz: “Não andeis ansiosos por coisa alguma” Ele até sugere que se faça uma oração a Deus. Algo saudável e sem contra-indicações. Djavan canta: “Quem sofre de véspera é peru” Muito boa essa. Aí eu dei uma risada, tipo aqueles caras que conversam, sozinhos lembra? Aí mano, todo cara que passava por mim, eu olhava, balançava a cabeça e dizia em pensamento: – Sexta dia 19 de setembro, estarei dividindo o palco com o grande músico goiano Carlinhos Veiga no Matim Cererê em Goiânia, e vou pra cima. aparece lá. Aí vinha outro cara e eu dizia: -Segunda feira dia 22 de setembro, estarei dividindo o palco com Carlinhos Veiga na Funarte, sala Cássia Éller em Brasília, e vou pra cima, aparece lá. E assim eu ia reversando. Do meio pra fim eu já estava dizendo assim: – Galera! Combina aí pra não ir todo mundo pro mesmo lugar senão vai ficar gente de fora. Hé! Curtição pura e ainda cheguei leve em casa.
Se você estiver nas redondezas, aperece lá. Eu vou correr pra cima. E só pra relembrar, como diz meu colega Djavan: “Quem sofre de véspera é peru”. Eu hein!
Um xêro pra quem gosta da gente
Rubão



Comente