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jul

Cadeira “O” Zero um

   Postado por: Rubao   em Papo aberto

imagem-003.jpgSábado próximo passado recebi um convite de um amigo pra assistir ao show da Miúcha . Todo mundo sabe que ela é irmã do Chico Buarque e que faz parte da velha guarda da Mpb. Confesso que mesmo sabendo que ela é boa, Miúcha não era um nome que me encantasse aos ouvidos talvez até pela injustiça da mídia.

O show aconteceu no Teatro da Caixa Cultural, Brasília. Meu amigo que comprou os ingressos, dele, da espose e meu, antes mesmo de perguntar se eu queria ir ao show (uma audácia) compro o último ingresso, o meu, achando que havia feito ”grande vantagem”, e fez.

Quando eu olhei meu ingresso escrito: Inteira “O – Zero Um” Eu pensei, “Que presente de grego”. Se “O” já é fim de alfabeto, deve ficar lá atrás, lógico, e 01 é a primeira cadeira que sempre começa no canto, grudada na parede, ou seja, além de ser fundão, não era no centro. Mas crente que é crente não sai de um lugar qualquer que seja sem dar pelo menos dois “glória a Deus!” nem que seja com raiva.

Como estava no convite, 20h30 em ponto, entram sob uns poucos aplausos, três rapazes com mais de cinqüenta, e, em seguida vestindo um conjuntinho lilás e com aquele mesmo caminhadinho miúdo (Miuchado) que o Chico imprime quando se deixa filmar, Miúcha entra cantando “Samba do Avião”. Maravilha. Ela deu um show de comunicação, interpretação, simpatia e história da MPB já por que os mestres faziam roda na sala da casa dela. Era possível ouvir até sua respiração. Que mixagem! E eu estava na “O” Zero Um, mas esse povo faz tudo de tal forma que de qualquer lugar você tem uma boa visão e ouve tudo.

No ingresso estava escrito: “Não será permitida a entrada após o início do espetáculo”. E nem precisava, todo mundo chegou na hora. Nos nossos eventos não, a gente não começa a cantar na hora e a galera só chega quando o som já começou, sem falar que fica aquele “trem” de gente saindo e entrando. A gente não vai pra um evento desses pra ficar comparando, mas seria muita ignorância não perceber nossa ignorância, e ainda temos que ouvir críticas a quem faz arte com responsabilidade com a alegação de que é música mundana. Eu tenho um amigo que radicalizou e não ouve música que não seja cristã, aí eu sugiro: Que tal parar de cantar “Parabéns pra você”, “Hino de time de futebol”, “Hino Nacional”, “Com quem será?…” Isso é tão popular quanto “Como é grande o meu amor por você” de Roberto e Erasmo Carlos que na voz de Fagner é quase um dos “Cânticos de Salomão”. E pra radicalizar que hoje eu tô é invocado, sugiro eliminar “Castelo Forte”. Um dos hinos mais tradicionais do hinário cristão feito por Martinho Lutero em 1529, O cara que grilou com a igreja Católica encabeçando a Reforma Protestante. Ele Aproveitou das melodias folclóricas (populares) do seu povo, com requisito que fossem apropriadas para cultuar a Deus e colocou letra. Veja o que ele escreveu: “A música é a bela e gloriosa dádiva de Deus… A música transforma os homens em pessoas mais gentis, mais auto-controladas e mais razoáveis.” E mais: “Não pretendo deixar para o Diabo as melhores melodias!” Certamente referindo-se às belas melodias populares.

E Como já disse, o show começou às 20h30 em ponto, evento de crente sempre começa muito depois, geralmente colocam um cara que fala alto (grita), despreparado e pronto pra “encher lingüiça”. Um vez a gente veio fazer um show aqui em Brasília e o “cara” chegou pra mim e falou:
– Você é o vocalista?
Respondi .
– Sou
- Qual o seu nome?
Ham? Fingindo não ter ouvido a pergunta direito. Paia né? A próxima pergunta seria: – Qual o nome da sua banda? Risos…

Sem falar que sempre colocam uma banda pra fazer a abertura, com a velha missão de “encher lingüiça” e trazer sua Comunidade se for grande (visão e/ou revelação) isso acaba menos ruim quando o líder não vem junto pra dar uma palavrinha de 40 minutos. Eu mesmo já fiz isso. Uma vez em Anápolis com um grupo chamado Mel, em que eu, Beto, Augusto Ventura e uma galera fomos abrir um show (18 anos atrás) do Expresso Luz que na época tinha a liderança e os vocais de Carlinhos Veiga. A gente cantou umas 17 músicas. Caramba, que vergonha! Eles tiveram que tirar 60% do repertório. Será que o Carlinhos já me perdou? Eu não. Hehe!

Miúcha estava acompanhada de Ricardo Costa na bateria, Jamil Joanes no baixo e Leandro Braga no piano. Que timaço. Ela cantou Tom Jobim, Vinícius e Chico Buarque.

Eu por um bom tempo, tentei entender como uma bateia poderia tem um som tão limpo, tão na medida, e isso com muita sincronia com o baixo e o piano, (bem diferente da crentaiada) sem falar da voz nítida e acima dos instrumentos (não o contrário, nosso caso.) ao ponto de eu dar um “Glória a Deus!” Claro que como bom presbiteriano, mandei baixinho, hehe!! A cantora embora não mandasse ali, um “hino do cantor” cantava com a alma citando com respeito e maestria os nomes que fizeram a história da Bossa Nova, bem diferente da nossa turma que se nega a reconhecer sua própria história e “nem sabe” que se hoje temos bateria e guitarras em nossas igrejas, é porque figuras como Janires, VPC, Logos, Bomilcar e outros, deram o sangue e a cara quebrando tabus, e, a massa ignora. Nem sabem que “Só o poder de Deus” só se canta em samba por causa dessa da MPB.

Emocionei-me ouvindo Miúcha e seu Trio que, em alguns momentos se permitia envolver-se de sentimento ao ponto de contagiar a todos, noutras, olhava pra cima como quem dizia: “Senhor eu não te conheço, mas essa é pro Senhor”. A música às vezes chega a um ponto que, de tão forte, se não pra Deus ela vai pro espaço. E tem gente que quer dar tudo pro… Há! Se Lutero que foi o cara, não entregou, eu vou entregar? È ruim hein!

Cinco minutos antes de começar o show duas mulheres numa outra fileira conversavam atrapalhando a concentração de quem esperava o início, quando de repente uma falou: Olha, vai ter show de Simone, Zélia Duncan, e também da Adriana Calcanhoto e… Quem é esse Carlinhos Veiga? Confesso que fiquei em dúvida se tinha ouvido direito, mas estava lá na revistinha de eventos, eu conferi. O show já ia começar, mas deu tempo de soltar um “gloria Deus!” Carlinhos é meu brother, tem um trabalho maravilhoso com música Popular Regional e é apaixonado por Jesus. Ele é o mesmo que eu citei lá atrás na história do Expresso Luz, lembra? Pois é! Fiquei muito feliz em vê-lo ao lado de nomes fortes da MPB, infiltrado no cenário pra ser luz, e, quem sabe, numas dessas, dizer pra Simone, Zélia, Adriana,… ou a Miúcha que tem um Deus, o Senhor da arte e criador da música, que está pronto pra ouvir o canto que sai da alma. E que naqueles momentos que elas cantam e esses cantos saem como um grito de sede d’alma. É pra Ele que estão cantando, até por que, Ele é a Água da Vida.

Eu prefiro ouvir essa galera que às vezes padece por ignorância, que aqueles caras, que dão uma viradinha pra gente (banda) e dizem: – Irmão, toca mais “uma” bem animada, que chegou mais gente e eu vou recolher nova oferta ao “Senhor”.

Eu vou ficando por aqui… Como deu pra ver, a cadeira “O” Zero Um, não foi o pior lugar.

Um xêro pra quem gosta da gente.
Rubão

Saulo
 1 

Rubão, gente boa. num bom hebraico:
isch cadoch – homem santo. amplexos Olá!
Saúde e paz.

julho 22nd, 2008 at 10:15
Gil
 2 

Rubão, como vc está marrento nesta foto. Rapaz tá mais pra foto de astro do rock pop amiricano. Tu tá muito exibido nesta foto moço, parece até que tá começando a fica besta. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

julho 22nd, 2008 at 10:16
Silvio
 3 

Gostei do Fagner e de Cantares de Salomão, e de que radicalizar mesmo é não cantar nem hino nacional, parabéns…muito bom!
Obrigado por suas crônicas que me fazem pensar, refletir e posicionar. Como já disse anteriormente, é uma pura mensagem de Deus..falta apenas o apêlo e as ofertas….rsrsrsrsrsrs

julho 22nd, 2008 at 11:35
Leila
 4 

Não sei se vc lembra de mim, de Codó, mas fiquei feliz em descobrir este site(através de uma pesquisa com Nelson Bomilcar) e saber o que Deus tem feito por vc e através de vc.
Gostei da sua maneira de escrever. Parece até Caio Fábio.
Deus te abençõe!
Leila

julho 22nd, 2008 at 15:10
Ellis Morena
 5 

É verdade. A cadeira “0″ zero um ñ foi a pior!

julho 22nd, 2008 at 18:08
Rubão
 6 

Olá queridos
que bom que vocês gostaram.
oi Leila, o Bomilcar é um “velho” amigão e não estou falando da barba branca he!! agora Caio, nem tanto né.
abraço

julho 23rd, 2008 at 0:14
 7 

É de uma qualidade imensa esse site..os textos..as palavras de uma forma simples q parecem q foram enviadas cmo resposta a algumas coisas que tenho buscado entender.
Como vc mesmo ja disse Rubão, eu sou suspeito pra falar..mas esse texto foi benção!
as musicas ditas “mundanas” mtas vezes tem edificado muito mais do q algumas porcarias que nois tocamos em nossas igrejas no momento de culto.
o Bomilcar foi o cara msmo junto cm tantos outros na abertura desse caminho para q hj tivessemos batera, guitarra e mts outros intrumentos na nossa igreja. estivemos cm ele em nosso programa. agora falta só vc heim? o grande poeta nordestino…RUBÃO!

abraço..Deus abençõe..
seu irmão mais novo. Diego Malta

julho 23rd, 2008 at 11:41
Rubão
 8 

Ô Diegão,
que tal trocar “Grande poeta” por “Cabra arretado” ? hehe!! tem mais a minha cara.
qto ao esquema, DEMOROU!! Tô devendo uma ida aTeresina. é só marcar.
abraço

julho 23rd, 2008 at 15:58
Lia
 9 

Da próxima vez eu compro o ingresso!!!
Mas da E28 eu ouvi menos que você…Não ouvi o comentário sobre o Carlinhos, por exemplo. Uma coisa é certa é muito bacana essa questão do som, tudo afinadissimo, muito muito no lugar

julho 24th, 2008 at 1:12
Rubão
 10 

Lia pra quem não sabe, é a terceira pessoa da noite cultural, ou seja, a esposa do meu amigo “comprador de ingressos”.
Rolou até um chocolate quente antes do show que tava delicioso e ele não pode reclamar por que a rodada quem pagou fui eu. rsrs.
Que show em Lia? falei pro Carlinhos do episódio, ele se amarrou.
beijo

julho 25th, 2008 at 0:09
Mano Curioso
 11 

Cara, realmente você tem razão, se o sujeito acha que ser “santo” é não ouvir música que não seja cristã, ele não deve cantar PARABÉNS PRA VOCÊ… e outras, faz todo sentido,gostei. quanto à música do Roberto Carlos,não poderia ser outra,e um interprete mas atual que o Fagner?
de qualquer forma, muito bom
Tô de olho

julho 26th, 2008 at 0:12
Rubão
 12 

Ô Mano Curioso, primeiro que seu nome não é esse, mas você é Curioso, certeza. he! cara eu ouvi uma história legal da galera da MPC. Diz que o cara tava no Acamp. cantando pra namorada “Eu tenho tanto…” aí a direção pediu pra ele parar pq lá não se cantava música profana. O cara parou de tocar e começou a declamar: “Eu tenho tanto…” poesia não é pecado, é mole? he!! Qto ao Fagner eu curto pq o cara é autêntico ou vc prefere Sandy e Júnior? essa foi pra descontrair rsrs
abraço

julho 26th, 2008 at 0:22
mano curioso
 13 

Boa cara.
voce apelou com Sandy e Junior.
qdo sai o próximo?

julho 26th, 2008 at 0:42
Albérico
 14 

Música profana… rsss! Eu to querendo ganhar uma menina vou cantar: “Eis perto está senhor…” kkkkk! Tenho 0, 1, 2, 30 anos de igreja e ainda se discute essas coisas? Meu Deus do céu!

julho 28th, 2008 at 16:18
INDÍA (ROSE)
 15 

Rubão meu amigo,A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual, que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você. vc manda muito bem nesse negocio kkkkk vc é o maximo ,gosto muito de vc ,te desejo tudo de bom amigo ,mil bjkas .de sua amiga de hoje,amanhã é sempre .ass:índia.

setembro 25th, 2008 at 18:30
Rubão
 16 

Mano,
voce gosta da Sandy, fala a verdade.

Albérico, por incrível que pareça, ainda rola esse papo é mole?

Oi India, obrigado pelo carinho
você é muito querida e sabe disso.
beijo

setembro 25th, 2008 at 19:38
 17 

Ih! Olha o Logos aí!!! rs
Ainda bem que nosso nome não é o que faz real diferença, mas é uma honra poder ser usado como mensageiro. Valeu!

outubro 16th, 2008 at 19:14

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