Você já subiu numa árvore? Eu passei minha infância subindo em árvores. É uma brincadeira meio fora de moda, mas cá pra nós, subir em árvores é muito melhor que quatro horas de Playstation 4. É bem verdade que os dois têm algo em comum, gastam energia. Todavia um deixa você forte, rápido, em contato direto com a natureza e com uma sensação próxima ao vôo de um pardal, o outro te deixa rápido com os dedos, com princípio de L.E.R., com um torcicolo incompleto (por isso o cara não trata, e, ele nunca vai embora), com uma dificuldade tremenda pra entender o que os outros humanos estão falando e com os olhos que vão de arregalados a super-arregalados. Em alguns casos, depois de quatro horas de jogo o garoto leva mais duas pra desarregalar os olhos. O Pior é que meu guri ta doido pra ganhar um bicho desses, já tentei negociar o jogo por um pé de manga, mas ta difícil.
Você já subiu numa árvore? Quando eu era moleque, a gente subia pra tirar manga la na ponta do galho. Ha! chupar manga em cima do pé, é muito melhor, além da fruta ser freca e evidentemente mais gostosa, a gente come com gosto, e só é bom mesmo quando lambuza a cara, (hehe!) ela escorre um caldo pelo canto do braço e vai até o cotovelo chegando a pingar no chão, uma queda (pingal) de 15 metros. Maravinha! Essa é outra experiencia única, mas aí tem uma manha pra você não sujar o calção e pegar uma bronca de “mainha” é só esfregar o braço no troco, sem muita força, pronto! Vai dar uma ligasinha, mas logo seca, um pouco. He!
Você já subiu numa árvore? Eu e meus amigos inventamos uma traquinagem, que ninguém mais fez. A gente subia numa árvore, pegávamos galhinhos de ramos secos, e tinham que ser daqueles ocos pra brincar de fumar escondido (coisa feia), vinha uma fumaça horrível, dava uma coceira na garganta e a certeza de que no mundo ninguém mais teve essa idéia ridícula. (Não faça isso em casa). Você conhece alguém que já fez isso? não né!
Tem coisa melhor que passar de uma árvore pra outra e depois pra outra, e pra outra… sem pisar no chão? Tá difícil. Ali esta o ambiente ideal pra brincar de Tarzan. Eu fiz muito isso.
Você já subiu numa árvore? Essa brincadeira foi inventada meio sem querer, por um menino, que na realidade não era menino, era um homem que tinha tamanho de menino, ou não? Daí a confusão, “um homem ou um menino?” Se ele era um menino, era tão esperto que pensavam que ele era um homem, se ele era um homem, foi tão esperto que pensaram que ele fosse um menino. (agora ficou fácil né? hehe!) meu apelido é Rubem no aumentativo, exatamente por que eu cresci muito. Não jóquei basquete por que não quis, mas em pleno vigor físico e com meus 1,72m, eu era o grandão lá em Codó MA ( esse MA, pode ser de Massachusetts), agora pense nos baixinhos… Lá pra nós, tem até um ditado só pra eles: ”Todo baixinho é invocado”. Então, entendendo que o invetor da brincadeira era baixinho, posso imaginar alguém com no máximo 1,49m pra ser modesto.
Você já subiu em árvore? Belém é uma cidade cheia de árvores. Todo mundo sabe que Belém é a capital do Pará, mas ele não morava em Belém, aliás, saindo de Belém tinha que passar primeiro por Jerusalém pra depois chegar em sua cidade, Jericó.
Se ele era um menino, era tão esperto que conseguiu enganar a todos de Jericó ao ponto de ter ficado rico mesmo tão novo, ser chefe dos publicanos e o cara que mais arrecadava impostos na região inclusive roubando. Mas se ele era um homem, também era esperto por que com tamanho de menino, usava sandálias de couro com sete dobras grossas no solado pra dar a idéia de que era mais alto. Isso acontece até hoje, o cara usa um salto de 7cm, pensa que cresceu 15cm e a gente só percebe 1cm. Como 1cm não muda nada, pra nós ele continua baixinho do mesmo jeito.
Mas ele foi além, porque tinha o objetivo misterioso de pelo menos uma vez, ficar a cima de todos, e, arrumou um tamborete bem alto, daqueles que têm dois degraus, mas quando subiu, descobriu que ficou apenas com 1,70cm, como o pessoal de Jericó tinha essa média, isso não resolveu e ele partiu pra próxima e brilhante idéia. Plin! Subir numa árvore e ficar mais alto que todo mundo. Dito e feito, dos galhos ele podia ver a pracinha, podia ficar em cima da rua, ficar olhando a meninada correndo lá longe, ficar escondido e até vendo o movimento na estrada lá embaixo.
Era um sábado de verão e a cidade estava agitada, mas ele sabia o que seu coração determinado buscava. Uma gritaria se aproxima lá embaixo quando de repente alguém grita – Ei! Ei! Tava me esperando? Eu sei que você é o Zaqueu, será que tem um pão de queijo lá em sua casa? Desce daí que eu tô com fome. Curiosamente sem falar nada, ele desceu de um pulo e foi com o novo amigo contrariando os murmuradores de Lucas 19.
Gostei da atitude desse baixinho que não perdeu a oportunidade de encontrar-se a qualquer custo, com aquele que conhece até o coração arrependido de um ladrão de impostos, e, foi por causa desse ato de coragem que ele teve a honra de assar uns pães de queijo, fazer um cafezinho “da hora” e tomar sozinho com Jesus.
O baixinho Zaqueu, depois desse “encontro dos sonhos” com Jesus, não apenas tomou um café e ouviu histórias. Ele deu metade de sua grana pros pobres, devolveu quatro vezes mais aos que roubou, e, de lambuja ainda entrou pra história como “o cara que inventou a brincadeira de subir em árvores”.
Um xêro pra quem gosta da gente.
Rubão


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