A última sexta-feira, a próxima passada, foi sexta-feira13. Uáu! De cara esse nome chama a atenção. Logo pela manhã, no sinaleiro, um daqueles garotos vendedores de jornal quase esfregou na minha cara um jornal com uma manchete onde se lia “sexta-feira 13, saiba como se prevenir ” Mais isso não é privilégio nem desse jornal nem de Brasília, todos os noticiários e telejornais deixaram um espaço em “relevo” por tal dia de azar. Isso é assunto mundial.
É um saco ver aquelas moças e rapazes jornalistas tão estudados e cultos fazendo matérias enormes sobre um tema desses e “ai” de quem não fizer. Então resolvi dar uma chance pra mídia e fiquei observando o que poderia acontecer num dia tão “importante” com esse. Dizem que quebra espelho nesse dia da muito azar. A tradição diz também que passar por baixo de escada, cruzar com um gato preto na rua, etc. São coisas que você não deve experimentar nesse dia muito menos se à noite tiver lua cheia. Alguns afirmam até já terem visto o lobisomem. Eu hein!
Passei o dia em estado de observação e nada. Lá pelas 20h fui a uma reunião, abriu até uma lua bonitona, mas nada além de um dia agradável e normal. Aí lembrei que no final da tarde, saí pra dar minha caminhada diária e quando já estava voltando, um camarada em um carro parado no acostamento me chama. “Por favor, será que você pode me dar uma ajudar aqui? Meu carro ta apagando e eu não sei nada disso” Disse ele. O cara tava com um problema no carro e toda água do RADIADOR (viu Betão?) vazava e esquentava muito. Eu não sei mexer em nada de mecânica, mas eu percebi uma coisa: Plin! Eu tenho cara de mecânico, de sargento da PM ou de professor de capoeira. É mole? Com essa cara e um pouco de talento eu poderia ganhar uma grana arrumando carros, ou sendo PM prendendo muitos bandidos e traficantes em nome da Lei e como mestre de capoeira teria uma boa escola na periferia, regatando crianças da rua. Mas ter a cara de capoeirista tem dois lados: Um é que o mala fica com medo de mim por eu seu lutador em potencial, isso é bom. Por outro lado, quem for me encarar nunca virá só, ele deve pensar: “Esse cara é lutador, vou ter que levar mais cinco comigo” Aí eu to lascado.
Mas a verdade é que enquanto eu explicava pro cara que não sabia nada de mecânica um carro parou um pouco à frente, deu uma ré, e desceu um sujeito, sem cara de mecânico já dizendo: E aí beleza? Que que ta pegando aí? O cara era um ex-mecânico vindo do trabalho e vendo o nosso desespero resolveu parar pra ajudar e ainda me falou rindo: “Eu sei como é ficar no prego, ainda mais uma hora dessas”.
Numa outra sexta-feira, que não sei se era 13, mas há uma chance, aconteceu um grande marco na história da humanidade, a Sexta-feira Santa ou Sexta-feira da Paixão que é a sexta antes do domingo de Páscoa e pode cair em qualquer dia entre 20 de março e 23 de abril. Foi nesse dia que aconteceu o beijo da traição e nesse mesmo dia o Rei dos Judeus morreu crucificado no Calvário, seria trágico se fosse apenas uma morte vergonhosa de cruz, aquele ato foi muito mais, foi uma entrega voluntária. O Rei morreu inclusive em favor daqueles que o mataram. Uma sexta inesquecível.
Sim, voltando… Era a sexta-feira do azar segundo todos os jornais. O carro quebrou em pleno rush de fim de tarde, eu não sei nada de mecânica, mas o cara (ex-mecânico que não deixa de ser mecânico) parou o carro, abriu o porta-malas, tirou uma caixa grande de ferramentas, alguns fios e disse: “Vou fazer uma gambiarra que vai dar pra você chegar em casa tranquilo, aí, é só desligar esse fio que o carro desliga e amanhã você chama um mecânico, isso é coisa simples”. E o carro funcionou.
A verdade é que ninguém para pra ajudar, ainda mais num trânsito daquele e na hora em que as oficinas estão fechando as portas, e, não é comum um mecânico passar por perto nessas horas muito menos parar só pra ajudar. Ele não aceitou nada, dava umas risadas largas como quem era um velho amigo meu e foi embora dizendo que foi um prazer e que tinha que correr por que ainda iria pegar menino na escola. O cara do carro agradeceu quase beijando-o e fomos felizes pras nossas casas. E era uma sexta-feira 13.
Um xêro pra que gosta da gente.
Rubão

