Archive for fevereiro, 2009

16
fev

Qual o preço de uma prostituta?

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

maos.jpgComecei o Ano Novo cheio de propósitos e metas, coisa que todo mundo faz nas suas juras de fim de Ano. Uma delas era perder peso. Um cara de 1,72m, careca, beirando os 46 anos e pesando murchando a barriga 81 kg não tava bem na fita. Em alguns momentos eu me sentia rolando em vez de caminhando. Hehe!! To atacando de 76 Kg, isso sem murchar a barriga (que não quer dizer nada, mas pra foto…). Não Parei com a gorducha coca-cola, não faço regime, não dispenso um churrasco, mas ando diariamente 6 Km e ainda entrei pra pelada que a galera da Comunidade ta fazendo toda segunda-feira no Mackenzie. Pros que me acompanham sabem que há um ano isso seria impossível dado o meu grave problema de saúde, Mas Deus que é maior que os problemas ta me concedendo essa graça mesmo que recomeçando pela banheira, e ai daquele que não tocar a bola pra mim. Rsrs.

Há quase dois anos sem jogar bola, meu finado tênis de futsal foi arrebatado e eu improvisei minhas peladas com um tênis de caminhada que por sinal é horrível pra jogar ainda mais pra quem estava parado, acima do peso e tropeçando nos próprios pés. Finalmente resolvi comprar um tênis novo, oficial, coisa de peladeiro profissional.

Quem conhece Taguatinga-DF sabe onde fica a Praça do Relógio, o centro comercial onde estão todas as lojas de material esportivo como é em toda cidade. Pense num cara eufórico! Eu mesmo, afinal era segunda-feira e eu poderia estrear com tênis novo pra desespero dos zagueiros e goleiros adversários. 5h da tarde, e eu tinha que agir rápido. Parecia marcação, mas na loja que achei o modelo certo, não tinha o tamanho, enfim, fui em cinco lojas com direito a repassar em 3 delas isso tudo sem grande evolução na minha frenética busca, por fim refiz os planos econômicos e optei por um tênis bem mais caro, mas tão confortável, leve e bonito que da até dó de sujar. Rsrs.

O centro de Tagua (tinga) não muda muito se comparado a São Luis, Anápolis e Goiânia, cidades que conheço bem. Entre uma loja e outra existe umas portas que dão a uma escada ou corredor com algumas moças minusculamente vestidas, maquiadas e com ar de quem tem algo a ofereceu, e tem. O próprio corpo. Não sei qual o “preço” daquelas moças, mas não faz muito tempo que saiu no jornal de Brasília que meninas estavam se prostituindo por até R$ 1,99.

Na minha correria entre as lojas eu não as vi, passei batido, mas vindo da loja com um par de tênis novo, satisfeito e sem correria passei pela terceira vez no mesmo lugar e percebi que tinha uma “dessas” moças em pé sorridente e mexendo com quem passava ali, e só aí, foi que eu percebi que elas estavam ali e provavelmente estarão hoje e amanhã como mais um produto no centro comercial. Eu vi a moça em pé, mas percebi que tinha outras espremidas nas escadas do corredor e uma delas me olhou e continuou me olhando e eu a olhei nos olhos. Ela não conseguia rir, nem falar, nem se mexer, apenas deixou o semblante cair e me fitou os olhos como quem não tinha sido vista a dias ou anos. Ela estava ali como as outras dizendo com seu corpo: “Quanto você paga por mim? Aceito proposta e contraproposta”. Mas seu olhar sem muita vida, sem muito brilho me dizia: “Socorro! Help! Estou morrendo. Alguém, por favor, ouça meu olhar!” Que situação constrangedora, quase morri encucado com aquilo. Num primeiro momento eu tive vontade de jogar pedras vendo a moça mexer com todos, num segundo eu queria ajudá-las ou pelo menos ouvir o grito calado daquela alma condenada à vulgaridade e a humilhação de comer das migalhas que qualquer um pode paga por seu corpo. Essa certamente a radiografia de todas inclusive aquela em (de guerra).

Conta o Grande livro de História que uma mulher chamada Raabe, assim como aquela moça, era prostituta, talvez a mais famosa que história conheceu. No auge de sua “miséria humana” Ela era conhecida por sua vulgar profissão num tempo em que apedrejamento era como festejo de São João no interior, uma festa, mas ela foi corajosa e escondeu em sua casa 2 espias (missionários de Deus) e quando os perseguidores a mando do rei de Jericó chegaram para prendê-los ela disse: “Eles estiveram aqui, mas chagando a noite se foram e não sei onde estão, se vocês correrem talvez os alcancem”. Com essa atitude de proteção ela correu todos os riscos até por que sendo prostituta não era alguém que se confiasse, ela os escondeu no terraço de sua casa entre uns talos de linho que havia arrumado. Como sua casa fazia parte do muro da cidade ela os desceu por uma corda, mas antes, olhando nos olhos os fez prometer que se lembrariam dela e de sua família. A palavra dela dizendo que jamais diria por qual caminho eles foram, valeu mais que a moral de toda uma cidade com seus títulos de cidadãos, festas de 15 anos, formaturas do primeiro filho, bon$ casamentos e número de mandatos de políticos moralistas.

Aqueles homens ficaram escondidos onde só ela sabia e nunca foram achados. Tempos depois eles voltaram com um forte exercito e mataram e destruíram tudo e todos, mas Raabe foi poupada e teve sua dignidade restaurada. A história é interessante e recomendo que você a conheça melhor. (Josué 2 a 6)

Vale a pena ouvir a voz de um olhar, não sei como ajudar aquela moça do corredor, mas aquele olhar me falou muito mais que muitos poemas e scraps cheios de flores brilhando com textos adocicados de auto-ajuda. O olhar tanto de Raabe quanto da moça do corredor me ensinam hoje que o tempo esta para pensar em ajudar ao próximo e não em qual produto vai limpar melhor o meu umbigo. Uma prostituta não tem preço ela já foi comprada pelo SANGUE que já foi derramado no madeiro.

Ah! Acredite se quiser! Raabe foi mulher de Salmon possivelmente filho de Calebe e mãe de Boaz e de sua descendência nasceu Jesus, o nosso Salvador. (Mat.5-1)

Um xêro pra quem gosta da gente.

Rubão