”Boa medida, recalcada, sacudida e transbordando“. Quando li essa frase, já imaginei a melodia com aquele pancadão forte, os gingles de teclados comandados pelos DJs, a dupla com seu visual característico não esquecendo jamais, o boné novo virado pra um lado, aquele bermudão enorme lá embaixo, um camisão de time de futebol americano geralmente com um blusão de capuz por cima e um tênis branco com meias canos baixos, é impossível que um cara em sã consciência use meias até a canela. Isso administrado com muita energia no palco, contagiando a galera eufórica que grita e canta junto com eles o refrão: “Boa medida, recalcada, sacudida e transbordando”
Queridos, interpretação de texto é tudo. Eu deduzi: Com certeza esse é o novo funk da parada, aliás, nem poderia ser diferente, a linguagem é essa mesma.
“Boa medida” deve ta falando da Juliana Paes, quem ainda não ouviu falar do “Bar da Boa” da cerveja Antarctica? “Recalcada, sacudida e transbordando” Eu nem vou comentar até porque a coreografia não vai deixar por menos, ao som de “Tum ti tum… tum tumtum Boa medida! Tum ti tum… tum tumtum a Recalcada!…” Já imaginei tudo.
Fiquei com essa frase e a batida na cabeça. Curioso que só macaco de zoológico, fui procurar melhor sobre essa letra.
Um cara gordinho, figuraça, amigo meu chamado Zé Carlos, inventou de ler um livro inteiro esse ano. Só que o cara é xarope, ele em vez de ler sozinho quer que a gente (os amigos) leia com ele. Então ele teve uma idéia: Plin! “Todo dia vou mandar três capítulos por e-mail pra galera”. E não é que o negócio deu certo? Tem “mó” galera acompanhando a leitura. Quero ver ele inventar um negócio pra ganhar dinheiro nessa crise. Mas foi no e-mail de terça-feira que li essa frase, e olhando com calma, veja o que diz o contexto:
É bom lembrar que esse é um livro de História, e nesse bloco de três capítulos o primeiro fala de um rapaz que estava sozinho no alto de um monte, tipo, Morro dos Pirineus – GO. Uma vista linda. Lá estava o rapaz acampado já a vários dias, meditando sobre a vida. De vez enquando isso é bom. Aí de repende pra desconcentrá-lo, surge a voz do mal que chega pra Ele e diz:
- Eu sei que você esta com fome. Estou te observando a dias. Então, porque você não come essa pedra? Você pode transformá-la em pão, veja como tem pedras bonitas, cristais, energia positiva (um troço meio esotérico, muito comum no Centro-Oeste).
Mas o rapaz faminto respira fundo e diz:
- Eu não vivo só de pão, prefiro uma boa Palavra.
A voz do mal insiste:
- Ta vendo esses montes e vales, cachoeiras, todo ecossistema e suas belezas naturais? Tudo isso é meu. E se você me pedir e me servir, eu te dou tudo isso e muito mais.
- Sai daqui coisa ruim. Eu nunca vou te pedir nada, nunca vou te servir, Eu já tenho o meu Mestre e só peço pra Ele.
O Livro vai ficando muito interessante em meio ao debate. A voz do mal não desistiu, e de um lugar bem alto, falou provocando mais uma vez o rapaz.
- Pula daí, os guardas do céu vão te pegar nos braços e você vai voar tipo Harry Porter e O Senhor dos Anéis lembra? É por ai. Confie em mim, você consegue. E eu estou aqui pra apoiá-lo.
O rapaz centrado e concentrado respondeu:
- Voz do mal, zarpa daqui, Eu não vou tentar ao meu Senhor.
E assim, depois dessa, voz do mal desistiu e se ausentou dEle. O rapaz desceu de lá cheio de moral, cheio de idéias revolucionárias, cheio de ideais. Ele venceu a provocação maligna, Ele foi aprovado e daí em diante fez um monte de coisas bacanas tipo: Trabalho social em comunidades carentes, trabalho com doentes e pessoas excluídas, assim como palestras em igrejas, escolas, praças, pescarias, acampamentos no deserto, etc. Só se ouvia falar dEle. Ele era formado em medicina, mas o livro conta que em alguns casos, as pessoas eram curadas só de olhar pro sorriso dEle, só de sentir Seu calou ou ouvir Sua voz. Dizem que esse negócio de morro funciona mesmo. Um amigo meu, Zilão, faz um trabalho assim em escolas e hospitais, ele se veste de palhaço e leva alegria e cura pra criançada muitas vezes com câncer. Maravilha por isso!
E como em todo lugar do mundo, quem não se vende, é massacrado pelo sistema. O jovem revolucionário é muito criticado, mas responde com palavras brandas tipo: “Dê a outra face quando te baterem”, “Não guarde nunca mágoa”, “Não julgue o teu próximo” ou “Dê, e te será dado”… E é ai que entra a frase “Boa medida, recalcada, sacudida e transbordando”. Porque você será medido com a mesma medida que medir os outros. Quem faz o bem, só ganha. As coisas ruins que aparecem não são catalogadas no coração. Ele da uma lição de vida. Pensando bem, a frase até que da um funk, mas a interpretação agora é outra. Sai fora Juliana!
Esse livro foi escrito por um médico chamado Dr. Lucas Disciplós, o cara não é brasileiro não, mas o livro é um best-seller, e como a leitura coletiva ta só no começo, Capítulos 4 a 6, se tu quiseres eu posso pedir pro meu amigo Zé, te mandar a parada por e-mail, ele vai se amarrar.
Um xêro pra quem gosta da gente.
Rubão




