Esse final de semana entre um show na sexta e outro na segunda tive um casamento imperdível no sábado. O casamento da filha de um velho amigo não acontece todo dia e nem se deve perde sem uma justificativa que seja no mínimo hemorrágica (nem sei o que é isso) Mas não se deve perder.
Então, acredite se quiser, com muito sacrifício não pra ir ao evento, mas pra me arrumar, tirei um terno preto do guarda-roupa, escolhi uma gravata vermelha, separei uma camisa branca, um par de meias pretas, meu sapato Mr. Foot, preto, tamanho 42 que não fica desgastado não sei por que, um lenço pros imprevistos e passei olhando pra uma boina, mas desisti dela. Foi difícil.
As bodas estavam programadas pra acontecer num lugar maravilhoso a 300 m do Rio Corumbá numa área bem trabalhada em seus relevos valorizando o paisagismo verdemente ecológico tendo ao centro uma enorme piscina, onde ali, ás margens daquela água azul se daria o enlace matrimonial.
Como era numa Estância, cheguei um pouco cedo, já pensando em me arrumar lá, isso já era programado pelo pai da noiva, alguns até ficaram pra dormir nas confortáveis acomodações. Daí em diante, três coisas me chamaram a atenção: Uma é que eu havia esquecido o cinto, mas logo descobri que com a pressão abdominal a calça ficou firme. Eu não iria dançar encima da mesa mesmo, e ainda tem aquele detalhe de que os bem informados devem abotoar apenas os dois botões de cima do terno. Pura besteira, nem faz sentido, da próxima vez, só de birra vou abotoar todos, tô nem aí pra etiqueta. A segunda é que tinha muita comida e bebida, coisa de chamar a atenção. Maravilha! E uma terceira, é que o tempo estava fechado e os pingos que sujaram meu carro na estrada, estava lá também. CARAMBA!
Sabe aquela mulherada que decora o salão? Essas são todas iguais, estão sempre com aquele cabelo na chapinha (feita às pressas), bem maquiadas, com o mesmo terninho preto, super estressadas misturando testa enrugada com sorriso forçado, mas são muito dedicadas, é verdade. Já viu isso? A pois… Elas estavam loucas, o troço era a coisa mais linda, mas não à prova d’agua, aí ficou aquela coisa de tira, volta, junta as cadeiras, cobre as mesas e a piscina perecendo um formigueiro com aqueles pinguinhos, aquilo foi pior que dor de dente. Eu não falei dos castiçais. Imagine aquele corredor à luz de velas, o noivo meio pálido com seu cabelo no gel, nervoso, mas esperançoso. A rapaziada jogou bola a tarde inteira, tomou um banho rápido, botou um perfume e aproveita pra falar do Campeonato Brasileiro com os manos, a mulherada competindo fofoca, armação de cabelo, decotes e obviamente com as costas peladas, passando um frio miserável, mas mantendo a pose, esperam ansiosas o momento, as daminhas parecendo porcelanas e a noiva entrando encantadora rumo ao altar. Fique imaginando.
Olhei pro céu, e disse: – Misericórdia! Tinha quatro meses que não caia uma gota de água e bem no casório… Aí como bom amigo do pai da noiva, eu pensei, vou orar por um milagre. Eu já ouvi uma história de um caso semelhante, o pai do noivo que conheço só de ouvir falar e parece ser gente boa, também presenteou o filho com uma festa junto com o casamento, e como era por essa época do ano, ele foi mais cauteloso e preferiu fazê-la no salão de festas, e você acredita que até deu uma chuvinha também? Desse milagre ele não precisou, só que ao contrário do meu amigo, ele calculou errado as bebidas e no bom da festa faltou vinho, Hum! Pense num mico que seria! Aí ele precisou de um milagre. Ah! meu irmão! O pai do noivo tinha um amigo chegado assim que nem eu, e não é que Ele teve a mesma idéia e falou:
- Amigo, minha mãe tá preocupada com você e eu tive uma idéia, vou orar a Deus pedindo um milagre, vamos encher esses tonéis de água e eu vou pedir pra que Ele transforme tudo em vinho.
- Ora mesmo, por que eu já tô desesperado. Disse o pai do noivo.
E não é que os tonéis que estavam com água se transformaram em tonéis de vinho, rapaz! E vinho da melhor qualidade pra fechar a festa. Colocaram até o nome de “Vinho tinto seco Caná da Galiléia”. (Vinho bom geralmente tem o nome feio mesmo) Coisa de primeira, literalmente. E não é conversa fiada não, o pessoal que tava lá é que conta essa história e até a publicaram.
Aí eu pensei cá comigo, eu também vou orar com fé, se aquEle amigo do pai do noivo orou e aconteceu lá, eu como amigo do pai da noiva vou orar e vai acontecer aqui. Pense numa oração de fé! Eu falei:
– Senhor quebra esse galho pro meu amigo, ele deveria ter feito um plano “B”, mas o Senhor viu a correria. Ele é cabra bom, e esse é o casamento da única filha dele, o Senhor sabe com é. Muito obrigado por me ouvir, amém.
Você acredita que Ele ouviu minha oração? Pois ouviu. Ouviu e me respondeu na hora, foi pá e bola. Desse Ele:
- Rapaz, você é um bom amigo e eu te ouvi, e te digo mais, fiquei sensibilizado com sua preocupação, mas vou ser direto, tem tanta gente orando agradecendo a chuva nesse mesmo momento, que seria covardia eu mandar pará-la agora, mas fique triste não.
– Sim, respondi.
– Eu vou abençoar o casamento.
- Amém né, fazer o que?
E foi ali, numa lateral da varanda, com os arranjos reorganizados em improviso, ao som da marcha nupcial e dos pingos do céu, que minha “sobrinha” se casou com a benção de Deus.
Um xêro pra quem gosta da gente.
Rubão


Acabei de chegar da Feira do Livro de Brasília. Fique mais de 5h em pé, devorando livros, almanaques, livros, origamis e livros. Minha menina fez a festa, e nós as contas do investimento. Foi um bombardeio de literatura, arte e informação. Esse ano quem me chamou muito a atenção foram os “cabras do Cordel”. Perece que as letras se lhes escorrem dos dedos. Então empolgado pelo clima, me atrevi a riscar, esse, que se cantado, seria um repente.
