Archive for junho, 2008

zabumba.jpgNa semana passada, recebi em minha casa a visita de três camaradas de Caruaru – PE. Não é muito comum por aqui, receber visita de pessoas usando chapéu de couro com zabumba, triângulo e sanfona na mão, mas eu gostei. Eles são músicos do grupo Louvor Rural, ligados ao Sal da Terra. Vieram trazer um abraço de um amigo, o Marcos André do Sal da terra, e, me chamar (com muito jeitinho e desconfiados) pra tocar com eles em algumas apresentações aqui em Brasília. Os caras estavam vindo de BH num Monza ano 92, eu creio. O carro não tinha vidros elétricos, ar condicionado, travas nem direção. Tinha um bagageiro cheio de instrumentos, alguns CDs, muita poeira e uma alegria que me deixou envergonhado. Daqui voltariam pra Caruaru, 2.200 km.

Fiz cara de desconfiado e explodi, por que não sou cara de guardar desaforo e fui logo explicando como eu sou: “Só o fato de vocês serem amigos do meu amigo Marcos, já são meus amigos de tabela. Pronto! E, a cara eu já tenho, cadê meu chapéu de couro?” Jorge (voz e triângulo), Firmino (voz e sanfona), Damião (voz e zabumba) e eu (violão), tava formada a banda de forró Pé de Serra. E eu disse mais: “É só vocês não dizerem nada que o povo não vai nem desconfiar, eu arrocho minha sandália de couro e capricho no sotaque…” Dito e feito.

Coisa boa é andar com gente boa. E aí a gente vai ouvindo as histórias e vai percebendo que está há “anos luz” dessa turma… Uma dessas histórias me chamou muito a atenção, e, foi o próprio, com testemunho dos companheiros, quem me contou.

Todo mundo precisa conhecer Damião. Um cara magro, negro, usando um óculos com armação bem grossa e antiga, de lentes grossas tipo fundo de garrafa. Sete graus de alguma coisa. Têm dois tipos de grau forte, um é aquele que deixa o olho do sujeito pequenininho que nem de chinês e o outro é o que aumenta o tamanho do olho dando a idéia de que o cara ta sempre assustado. Pronto! É esse.

Depois de tocar no Rio de Janeiro, ano passado, o grupo Sal da Terra pacientemente esperava seu vôo pra Recife, quando se ouviu uma gritaria no saguão. Era um camarada muito revoltado com pinta de artista, cheio da razão, usando todo seu repertório de palavrões pra afirmar sua indignação pelo atraso do vôo apesar do tempo nublado lá fora. É aí que entra em ação “o cara com nome de santo”, Damião.

- Ôxente, macho! Pra que esse alvoroço todo? Você ta parecendo um mandacaru arrepiado visse! Já pensasse se todo mundo ficasse assim?

–Meu amigo você ta falando assim por que não me conhece e não sabe a pressa que eu tô, isso aqui é uma… (palavrão), to com vontade é de quebrar tudo.

- Sim homi, mas eu também to com pressa e to tranqüilo. Olhe! Gritar não vai ajudar em nada, muito menos xingando.

- O lance é que você não sabe de nada, eu sou músico profissional e trabalho com muita grana, cada minuto parado aqui, é uma grana que eu to perdendo. Esse mundo é assim, a gente faz tudo por dinheiro e esses caras ficam aí enrolando e fazendo pouco caso da cara da gente. 

- Ta muito bem, mas músico eu também sou e não vou me desesperar. Quem você ta pensando que é quem pra querer passar na frente de Deus? A gente só vai sair daqui quando Ele quiser. Ta entendendo?

- Eu sou… Já ouviu falar de mim? Sou guitarrista do Lulu Santos e ganho muito bem pra trabalhar pro meu chefe. E você, quem é?

- Eu? Eu sou o irmão Damião, zabumbeiro do Sal da Terra, e sabe o que eu ganho? A alegria da salvação em Cristo Jesus. É pra Ele que eu toco, e é por isso que eu não vou perder o juízo. Olhe! Nada acontece sem que Nosso Senhor permita. Eu vou me desesperar pra que siô? Cara, tu ta assim, é, porque tu ta servindo ao Senhor errado. Eu já saí fora dessa há muito tempo. Mas Deus pode te dar paz na alma.

- Você tem razão irmão… Damião Né? Meu negócio é dinheiro e mais dinheiro, se rolou grana, to dentro, mas quanto mais eu corro, mais eu não alcanço e eu continuo vazio no meio disso tudo.

Pra resumir, a história termina com “irmão Damião” (é assim que ele se apresenta sempre) indo buscar a bíblia, lendo um texto, e orando pelo guitarrista em pleno saguão do Galeão. O rapaz nem soube como agradecer e ficou amigo do zabumbeiro. Diz Damião que fez até uma oraçãozinha pro vôo atrasar mais ainda só pra ter mais tempo pra conversar. He!

Fiquei curioso e fui buscar mais informações sobre ele com os parceiros Jorge e Firmino. Eles me contaram que uma turminha quis inventar uma fofoca sobre Damião lá em Caruaru e foram fuxicar pro pastor dele. Daí a surpresa: “Vocês não conhecem Damião, mas eu vou dizer como é que vocês vão fazer pra ficar sabendo que ele é. Quando ele tiver vindo na estrada, se escondam dentro do mato enquanto ele passa. E vocês vão conhecê-lo. (Ele freqüenta e ministra o louvor numa congregação a 8 km da cidade). Ele vai e volta a pé por uma estrada de chão cantando e glorificando ao Senhor todo dia. Eu mesmo já fiz isso varias vezes só pra confirmar. Disse o pastor. Eles envergonhados deixaram “suas pedras” e foram embora, me lembrando os fariseus.

Essa é apenas uma das histórias desse rapaz que começou a beber aos sete anos de idade, que por muitos anos tomou uma garrafa de pinga no café da manhã, tornando-se assim, a vergonha da sociedade. Ta fazendo oito anos que ele descobriu o amor de Deus por ele, e não parou mais de testemunhar isso.

Damião me disse que tinha um sonho. Ter um fusca pra botar na obra e levar o pessoal da redondeza pra igreja. Pois bem! Um irmão aqui em Brasília ficou sabendo (semana passada, claro!) e disse: “Irmão Damião, pode tirar sua carteira que o carro você já ganhou”. Ele não fez a “Campanha da Fogueira Santa” e nem pediu um carrão pra Deus, mas duvido que o carro seja um fusca.
Damião não tem apenas nome de santo, ele…

Um xêro pra quem gosta da gente.

Rubão

17
jun

Rei, João e eu, o filme

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

x_bicicleta.jpgEsse dias tive um sonho que me deixou encucado. Tudo que sei é que era sobre um filme, daqueles que a gente acorda pensando que foi verdade. Tinha além de mim, mais dois sujeitos. E assim como em todo filme que se preza, aquele também tinha o ator principal, aquele que faz a gente chorar no final, o coadjuvante, o cara que só atrapalha as coisas e o figurante, aquele que ninguém lembra. Não foi por falta deles que o filme não foi um sucesso.

A cena se dá dentro de um banco. Eu cheguei praticamente junto com mais dois caras, se bem que o rapaz negro, de terno, estava um pouco na minha frente, o outro, branco de camisa social, estava um pouco atrás de mim, mas quase não se percebia a ordem de tão próximos que estávamos. Seria uma questão de bom censo. Muitas pessoas chegaram logo em seguida.

Uma funcionária muito simpática se apresentou para organizar a fila e perguntou: Quem de vocês chegou primeiro? O rapaz branco quase que de um pulo se apresentou como sendo ele. Eu fiquei em segundo e o outro em terceiro.

Criou-se ali um clima desagradável, mas o cara da frente não estava nem aí pros meus murmúrios, enquanto isso, o outro dizia: “Você passou na nossa frente e esta errado, mas eu não vou brigar com você, embora contrariado”. O cara ria como se não fosse com ele e com ar de conquistador não perdeu tempo em paquerar a moça que organizava a fila. Ele era branco, simpático, alto, bem vestido e tinha uma voz firme mostrando-se muito inteligente. Portador de uma lábia invejável encantou até as caixas que se tocavam como que dando bolas. Como ele se apresentou, percebi que seu nome era João.

O cara atrás era negro, não alto, estava de terno, tinha um brilho nas bochechas, um olhar sereno, e usava um bigodinho fora de moda. Como alguns o cumprimentaram, soube que seu nome era Rei. O Sr. Rei não perdeu tempo e me disse: “Esquenta não, isso sempre acontece, mas um dia vai acabar”. E me deu um folheto, de um monte que carregava dentro do paletó com uma foto de uma cruz e uma mensagem com o título “Sua vida ainda tem jeito”. Só depois que fui ler. Um significado muito forte pra quem teve um dia atribulado.

Atrás de mim, havia uma turma muito agitada com a demora no atendimento e com o cara que passou na nossa frente, mas Rei com uma voz mansa e um domínio impressionante sobre o público consegui acalmar a todos falando umas coisas sobre paz, respeito, direitos e deveres e sobre o amor de Deus. Todos pararam pra ouví-lo inclusive eu e o guarda do banco. A essa altura, João já no caixa, pegou um talão de cheques e segurando a mão da bancária anotava seu telefone num papel. Nunca vi aquilo. E eu no meio observando os extremos.

Acordei impressionado com aquelas cenas, e, folheando a memória descobri que aqueles rostos não me eram estranhos, eram dois caras famosos. Pelo menos em sonho, eu os vi de perto. Uau! João na realidade era John F. Kennedy. Ele foi presidente dos EUA e ficou na presidência por 1000 dias, período esse, que ficou marcado pelo lançamento de uma ambiciosa política trabalhista, o crescente envolvimento dos EUA no Vietnã, o fracasso da invasão de Cuba e a crise dos mísseis. Foi um bom Presidente, mas depois descobriu-se que tinha problemas com bebidas, festas na Casa Branca e várias amantes.

O Rei, era Martin Luther King, negro e pastor Batista que se tornou um dos mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis (para negros e mulheres, principalmente) nos Estados Unidos e no mundo através de uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo. Tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Premio Nobel da Paz em 1964.

Descobri então que além de colegas de um filme que nunca será lançado, Rei, João e eu, temos algo em comum: o ano de 1963. Foi em 22 de novembro de 1963 que o então Presidente dos EUA, John Kennedy foi assassinado com dois tiros vindos do 6º andar de um Depósito de Livros Escolares enquanto desfilava em carro aberto em Dallas, Texas. Foi no dia 28 de agosto de 1963, que o pastor Batista Martin Luther King fez seu histórico discurso “Eu tenho um sonho” tornando-se o maior nome da luta pela igualdade racial da história dos EUA e talvez do mundo. E foi no dia 30 de março de 1963, que eu nasci de parto normal, de parteira, em casa, no bairro de Fátima em São Luis do Maranhão. Filho único (coisa rara na minha época e no nordeste…)  eu diria que: “Eu sou apenas um rapaz, latino americano sem dinheiro no Banco, sem parentes importantes e vindo do interior” Belchior.

A pergunta é: Além do ano de 1963 o que mais eu e eles temos em comum? Nada, ou um só um “filme”. Eu, o figurante, graças a Deus não me pareço em nada com João, o ator coadjuvante que tumultuou a cena, e, infelizmente estou muito longe de ser tão crente e lutador quanto Rei, o ator principal.

Um xêro pra que gosta da gente.

Rubão

10
jun

Um Jeitinho brasileiro pra mandar o Tom pro céu

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

____rio_4b.jpgJá cantei muitas vezes em São Paulo e numa delas aconteceu um lance muito curioso. A casa tava cheia, a galera cantando nossa música. Isso ajuda que é uma maravilha, é meio show.

Fiquei muito empolgado com a resposta das pessoas, o feedback foi total. Coisa ruim é tocar ou fazer qualquer outro tipo de arte sem sentir o brilho dos olhos das pessoas. Você se sente um verdadeiro 3 em 1 tocando um cd qualquer pra que algumas pessoas conversem, tomem um café ou façam qualquer outra coisa, mesmo prestar atenção em você. Não foi o caso, graças a Deus. Naquele dia a coisa tava tão boa que teve até o tal; Bis!Bis!… Sem falar no tanto de cd’s que vedemos. Nem sempre foi assim viu!

Sim, mas e daí! Vou falar agora. Ora, pois! Era um sábado frio da noite paulistana, daqueles de deixar pinguim resfriado. Eu com a minha velha e inseparável alergia, me segurei como pude dopado de remédio, mas deu pra cantar legal.

Já lá fora, entre uma foto e outra, um autógrafo e um papo rápido com a galera, uma senhora de idade, baixinha e bem bonitinha (bonitinha na minha terra, não é uma feia arrumadinha, é uma maneira carinhosa de destacar a beleza) me procurou, deu dois beijinhos e disse: Parabéns pelas músicas. -Muito obrigado. Respondi. A tia acabara de ganhar uns pontinhos comigo, primeiro pela jovialidade e segundo por entender minha linguagem que não é própria pra 3ª idade, mas que sempre teve uma boa aceitação.

O papo tava bom e ela perguntou – Escuta, aquela música que fala sobre o Tom Jobim e o Jorge Bem Jor é sua? Uau! Mais pontinhos. Tem cara jovem que passa batido e não entende a música, aí me aparece uma velhinha que capta de primeira, afinei. A letra da música fala o seguinte: “Antonio cantou são as águas de março fechando o verão, Jorge falou Bem ou mal em fevereiro tem carnaval.” Respondi que sim, encantado com a coroa.

Já ensaiando pra ir embora ela volta e solta uma: Eu tô chegando pra igreja agora, tô gostando, e, tô aprendendo que pra ir pro céu é preciso confessar Jesus com Senhor e Salvador. Mas a parada é que ouvindo o som de vocês, que eu não conhecia, gostei muito e até estou levando alguns cd’s pra curtir em casa ( essas gírias não são imaginação do autor, a velhinha mandava bem mesmo). – Sabe a sua música me lembrou muito um amigo brilhante e queridíssimo, o próprio Tom Jobim. Nossa! Até gaguejei, mas segurei a pose.  – Ah! Quantas vezes sentei com ele pra tomar uma cervejinha, jogar conversa fora e ouvi-lo tocar na praia de Ipanema. Foram tantas vezes que nem conseguiria contá-las. Você o conheceu pessoalmente? -Infelizmente não. Respondi. – Pois bem, ele era um homem fantástico, o Tom tinha um coração generoso, não conheci artista igual, ele escrevia canções com a alma, ele tinha uma luz própria. Pelo que ele era de tão cristalino é que eu fico meio confusa e creio que ele foi pro céu, não faz sentido uma pessoa tão especial não ir pro céu, você concorda comigo?

Não é fácil responder um “não” assim na bucha, mas também não é difícil quando a resposta não esta firmada naquilo que você acha, e sim no que o próprio dono do céu diz a respeito disso.

E falei o seguinte: O cristão tem como base de fé e ordem a bíblia crendo que ela é a Palavra de Deus, ou seja, aquilo que Deus pensa ou quer que façamos sobre qualquer assunto. Isso é básico senão, é qualquer outra coisa menos cristianismo. Olhe o que ela diz: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” Romanos 10:9. Mas tem que confessar.

O fato é que aquela senhora queria um “jeitinho brasileiro” pra mandar o Tom pro céu. Eu continuei; Graças a Deus, ele não era melhor que a senhora, não era melhor que eu e não era melhor que aquele menino lá do morro; e nem pior. Pra Deus somos todos iguais e precisamos confessá-lo independente das honras, impérios, fama ou status que estocamos aqui. Não tem outro jeito, e é até justo.

A tia deu uma caída no semblante, balançou os ombros, deu um tchauzinho e foi embora desiludida. Ela continua com os pontinhos comigo, mas nada me garante que ela não tenha ido procurar outra pessoa que lhe assegure que aquele que teve uma “áurea” na Mpb, cantou com Sinatra, cedeu seu nome a um Aeroporto Internacional e encantou o mundo com sua genialidade musical única e dada por Deus, tenha conseguido por “seus méritos” e com a ajude de um jeitinho brasileiro, entrar no céu.

Um xêro pra quem gosta da gente

Rubão

2
jun

Um dedo de prosa por quatro dedos de blusa

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

varal-4.jpgEstou publicamente me solidarizando com a classe feminina, sem influências feministas. É apenas uma questão de somar forças.

Eu sei que muitas mulheres já tentaram levar o assunto pra discursão, pra um debate mesmo, mas esbarram no preconceito, então, estou comprando essa briga e quero despertar a atenção de amigos e da população em geral.

Estão usando o manequim, o molde ou outra coisa qualquer mais moderna como padrão e não ta dando certo, isso vem causando um desconforto geral no universo feminino e é possível ouvir o seu “grito silencioso” que ecoa do Oiapoque ao Chuí. Isso é tão sério quanto o desmatamento da Amazônia, mesmo por que mexe diretamente com a pele humana.

Tudo partiu de uma observação que fiz por acaso, mas não por ingenuidade, com base no cotidiano. Não estou inventando nada,  fiz esta pesquisa em: escolas, hospitais, consultórios, supermercados, shoppings, feiras livres e igrejas por onde passei nos últimos 5 meses. Não foram contabilizados; academias, calçadões, clubes etc.

Posso afirmar sem medo que é um problema nacional, considerando o que mostram as revistas, jornais e televisão reforçando esta pesquisa. Se eu estiver errado, por favor, me ajude pra que eu não continue na ignorância, agindo talvez, como um preconceituoso ou mesmo careta, longe de mim isso.

Gente, quem não se incomoda com o incômodo sofrido por mulheres de todas as faixas etárias, tamanho, cor e credo, de mocinhas a vovós ( de andando a caducando) Tudo por causa de uma blusa que não se fabrica no número próprio pra elas, com isso elas sofrem tanto, tentando se arrumar dentro de um tamanho “pp” pra meninas de 9 a 10 anos, simplesmente por falta de opção. Acredite se quiser. Isso é um absurdo.

As blusas até que são fabricadas com modelos criativos, com estampas modernas, cores vivas ou básicas como o preto, o branco e o caque, maravilha! Mas o problema é que não tem blusa na medida certa. Nossa! Ninguém merece tanto constrangimento. Esse grito precisa ser ouvido.

A pesquisa concluiu ainda que na parte superior há um enquadramento perfeito com alguns abusos aleatórios, mas isso está dentro do suportável. Agora, no comprimento há uma subtração de exatamente meio palmo, QUATRO dedos. Por isso as infindas reclamações e a possibilidade real de L.E.R.  – lesão por esforço repetitivo.( não tenho dados, mas uma pesquisa universitária pode concluir isso com facilidade) devido ao fato de terem que puxar, puxar e puxar repetitivamente aquela parte inferior da blusa até que ela chegue ao cós da calça, causando um alívio momentâneo, porque em 2 segundos ela certamente voltará ao seu estado de origem deixando milhares de barrigas de fora, caso que deve estar acontecendo com muitas nesse exato momento.

Essas medidas devem ter sido inventadas por aqueles caras que se dizem produtores de moda e tendências de estação que pensando apenas em lucrar economizando pano, usam um material que estica, estica e volta ( enganador). É uma briga de dar dó. Isso reprime tanto, mas tanto que se por acaso você olhar por mais de um segundo e meio pra cena, a reação vem na bucha; – Ta olhando o que? Seu tarado. Elas não têm culpa, esse stress começa em frete ao espelho e só acaba quando ela volta pra casa, muitas vezes depois de um dia inteiro de luta. Elas até já dominam a técnica e conseguem revezar as mãos sem perceber, mas com certeza isso cansa.

A gente vê cada coisa; Outro dia vi uma gordinha da barriga branca lutando dentro de uma blusa preta (é que dizem que o preto emagrece, mas a barriga que aparecia involuntariamente, era gorda), fiquei com dó. Em outro caso, lembro de uma ex-colega de serviço que tem umas tatuagens parecendo chamas de fogo saindo da calça. E ela que nem sempre queria mostrar, mostrava sempre.

Em outro caso e não faz muito tempo, fui a uma igreja, e, na hora da peça de teatro, todas as moças do grupo sofriam com a crise da blusa curta. Entre uma fala e outra, tinha sempre uma puxadinha. E isso era dentro da igreja! Mas, elas não tinham culpa, tadinhas! Em uma visita a outra  igreja vi uma esposa de pastor também sofrendo pra esconder a barriguinha, que insistia em aparecer em pleno domingo à noite, enquanto ela participava do louvor. A diferença é que ela ,com sabedoria “pastoral”, tinha todo um jeitinho gospel e sutil de puxar discretamente, quase imperceptível. Digamos, uma levita com sensibilidade.

Nós temos que fazer alguma coisa pra ajudá-las. Tive então uma idéia: por favor, se você está lendo esse texto agora e 1º -Tem bom coração; 2º – Quer abraçar esta luta e 3º -Tem um pequeno capital pra giro, comece hoje mesmo um pequeno negócio, uma confecção só de blusas. Você pode pegar os modelos já existentes e acrescenta apenas QUATRO dedos de pano no comprimento, vai dar certinho no cós. Pronto! Você resolverá o problema de milhões de brasileiras, todas ficarão eternamente agradecidas, você ficará rico e digo mais; se tiver um pouquinho de tendência pra empreendedor, você ficará milionário.

Pense rápido antes que alguém pegue essa idéia e se possível me mande um e-mail só pra que eu fique mais tranquilo e certo de que dei minha parcela de colaboração nessa causa tão justa.

Eu esqueci alguma coisa? Ah! Lembrei! “ME ENGANA QUE EU GOSTO”

Um xêro pra quem gosta da gente

Rubão