Archive for maio, 2008

27
mai

Virei crente, mas não esqueci Maria

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

caicarinha-cruz.jpgNosso país é realmente o país das Marias, quem não tem uma na sua vida?

Maria “Emergência” – A minha tia Maria do Socorro atende ao telefone assim: Pronto! Socorro (Pronto-Socorro).

Maria Niva – A moça que trabalha na minha casa. Seu nome deveria ser Maria Nívea, mas por um erro… ficou um bom nome artístico. Cairia bem num consultório de Pediatria: Dra. Maria Niva – Pediatra.

Maria Rita – Cantora de primeira grandeza que conseguiu superar as comparações com sua mãe Elis Regina e imprimir seu próprio estilo doce e encantador.

Quantas Marias mais poderia citar? Muitas. Até voltou a moda de nomes como: Maria Eduarda e Maria Antonia. Como eu poderia esquecer daquela que me marcou se Maria é esse nome tão presente na vida do brasileiro? A moça da padaria chama-se Maria, a coleguinha do meu guri é Maria, tem até professora da escola dele com o nome de Maria. Você conseguiria esquecer? Eu não, até porque é uma história antiga e como cada um tem a sua, com seus marcos e fatos, eu também tenho a minha.

Maria, moça simples, bonita e dona de uma meiguice única, que me foi apresentada quando eu ainda era um adolescente magrelo com um cabelo que não sabia pra qual lado iria ficar (era uma farofa), espinhas brigando pra aparecer uma mais que a outra, hormônios à flor da pele e um monte de informações procurando seu “lugar ao sol.” Foi em meio a toda essa “borbulha de amor” que conheci Maria.

Eu fico tranquilo pra falar, até porque todo rapaz conheceu pelo menos uma Maria na sua vida, alguns tem vergonha de assumir, outros acham que isso pode lhe ferir conceitos ou posições, sei lá. Eu confesso que já passei dessa fase e lembrar não ofende não é mesmo? tô nem aí.

Essa turma que vira ( muda, se torna ou passa pra…) crente como eu, tem que enfrentar as autarquias da razão, é verdade. A turma dos fariseus de plantão ficam no pé querendo explicações Marianas como se eu não tivesse inteligência bastante pra pensar e discerni o que tem ou não haver. Eu sou meio fechado com as minhas histórias e admirações, mas aqui em casa isso é caso bem resolvido.

Não sei por onde sua mente viajou, mas eu sou fã mesmo é de Maria de Nazaré, claro! a mãe de Jesus. E como não seria? Ela não foi escolhida à toa, foi escolhida pelo próprio Deus, aquele que vê a alma e conhece os pensamentos. “E conceberás e darás luz a um filho. O Salvador, e o seu nome será Jesus”. Lucas 1:31

Eu era molecote quando me apresentaram Jesus e fizeram a gentileza de me apresentar também sua mãe, até por que Ele não surgiu, Ele nasceu de mulher, nasceu de Maria. E eu pergunto: como esquecer esse nome?

Sou fã de Maria porque ela num momento decisivo disse: – Eu aceito o desafio, mesmo que todos digam não, inclusive José. Por isso ela ouviu do anjo: - ”Salve agraciada, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres”. Lucas 1:28

Maria é pra ser lembrada e admirada sempre. Ora, ela embalou, deu peito, colocou pra arrotar e passou merthiolate e band-aid nos arranhões do pequeno Jesus, aquele que viria a separar a história em antes e depois dEle, aquele que foi homem e Deus sendo gerado pelo Espírito Santo no ventre da jovem Maria antes mesmo que José a tocasse.

Ele que não provou o gosto amargo do pecado, mas o conheceu ao ponto de morrer exatamente por causa  dele (o pecado, meu e o seu), causando um rasgo no véu do templo numa morte humilhante e cruel mesmo que necessária e entendida até então, só por Ele. Num cenário mórbido e sombrio de pregos, lanças, vinagre, suspiros, espinhos, choros, cruz e sangue. Sangue de verdade que escorreu pela cruz, caiu no chão e coalhou, manchando a terra. Nada anormal, não fosse por sua vitória sobre a morte ressucitando 3 dias depois.

Qual mãe entenderia, qual mãe concordaria com a morte voluntária de um filho perfeito de apenas 33 anos? Maria chorou, sofreu, mas liberou sua benção.

“A minha alma engrandece ao Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque atentou na baixeza (humildade) de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada.” Lucas 1: 46-48  Parte do “Cântico de Maria”.

É por essas e outras que sou um crente, fã de Maria, só não acendo vela. Até por que acho que ela não aceitaria.

Um xêro pra quem gosta da gente.

Rubão

20
mai

O Lobo Grande e as Ovelhinhas

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

lobos-1.jpgUm tempo desses… fomos tocar numa igreja em São Paulo. Uma igreja pequena (I. Aliança, tavez seja o lugar onde mais vezes tocamos depois de nossa casa), muito aconchegante e beijoqueira, a gente fica até com torciloco de tanto dar beijinho. Detalhe, lá ganha beijinho o bonito e rico e o pobre e feio. Uma lição.

No final de uma de nossas apresentações, um camarada de voz baixa, um pouco acima do peso e muito gente fina nos procurou e disse: - Eu posso tentar levar vocês em um programa de televisão? é que eu trabalho na ponte aérea, passa muita gente boa por ali e eu gostaria de tentar. Claro! respondemos, afinal não tinhamos nada a perder apesar da influência de Tomé.

Um mês e pouco depois o telefone toca, era ele, o mano. – Pessoal, tá tudo certo, consegui uma apresentação naquele programa que falei ( coisa de ponta na TV brasileira) vocês vão ter que vir na segunda-feira, a gravação será na terça. Já está certo a hospedagem no Hilton (um 5 estrelas no centro de Sampa, nóó!!) Quem tinha barriga teve dor-de-barriga, alguns foram mais longe. Enfim, agradecemos a Deus pela graça e fomos.

Esse programa sempre leva artistas ou pessoas que fazem algo chamativo, inusitado, por exemplo: sucesso no exterior e anônimo aqui, estourou vendendo milhões de cópias de Cd’s sem a força da mídia, caiu na graça de um artista internacional, enfim, algo excepcional. Nós não tínhamos nada disso, só a vontade do Pai. Só?

Lembro-me que antes da gente sair do Hotel, os caras (da banda) resolveram ensaiar um vocalzinho que tem no começo da música, o problema é que eles não entravam em acordo, um fazia a voz do outro e foi ficando um clima tenso.  Eu que iria cantar a música, comecei de tabela, a ficar grilado. Ora, se eles que só vão cantar isso… estão nervosos e errando, eu tô é lascado. Pensei.

Fomos bem recebidos, isso caiu como um calmante. E naquele dia como de prache tinha vários artistas entre eles o Evandro Mesquita (líder da Blitz e ator) um cara muito simpático e boa praça, rolou até uma tietagem ( de nossa parte. Tá pensando o que? he! ). A gente então deu uma passada no som, fizemos o reconhecimento do terreno, Ufa!  A hora tava chegando e nós como toda banda que se presa, estávamos com uma caixa de Cd’s pra distribuir do apresentador aos contra-regras, e fizemos. Pegamos mais um Cd e o Paulinho, último a autografar, teve a missão de entregá-lo ao único artista que ainda não havíamos esbarrado nos bastidores. Era um corredor pequeno, ambiente ideal pra de presentear ou tietar. Todas as investidas foram ótimas. As boas maneiras ensinam que a gente deve receber e agradecer mesmo que depois nem ouça ou jogue fora. Isso é ética.      

O Paulinho então, entrega ao artista, ele recebe e até agradece ( foi ético),  em seguida ele dá um grito – O QUE QUE É ISSO? EU DETESTO ESSE NOME, ESSE NOME ME FAZ MAL ( isso não foi ético). Foi preciso que o empresário dele entrasse na frente pra que ele não agredisse o “magricela” do Paulinho. Ninguém entendeu nada, mas foi o nome de JESUS que carregamos na capa de todos os Cd’s da ” Cia. de JESUS ” que o incomodou a esse ponto. Confesso que nesses 17 anos de estrada nunca vi nada igual. Nem quando tivemos que pegar uma aparelhagem emprestada ( ou alugada, por conta de um problema no som) em Codó no Maranhão, onde o dono era um Pai-de-Santo, chamado Bita de Barão. O cara foi educado e o som dele foi ungido e “convertido” em bençãos por que o povo foi abençoado.

A turma do deixa disso acalmou os ânimos e voltamos pro camarim grilados e nervosos até porque estávamos alí com mensageiros do Rei, deveríamos ser respeitados com tal, a serpente tem que estar debaixo dos nosso pés… e mais um tanto de méritos e reinvidicações automáticas que nos vieram a mente, sem contar com o anjo Gabriel que deveria estar por alí e não apareceu. Que nada, a ficha caiu e nós oramos ao Deus de Abraão (e nosso) por nós e por ele. “O Livro de capa Preta” diz: Bem aventurado sois vós quando vos perseguirem e disserem mal contra vocês por minha causa. Mat. 5:11. Não pedimos fogo consumidor, pedimos graça e misericórdia.

O próximo cenário foi: Ele dando uma entrevista falando de derrotas ao ponto de, o entrevistador perguntar: – Você só vai contar hoje suas derrotas? Após a entrevista ele teve que continuar no palco, sentado ao lado, porque no final voltaria pra cantar.  Chega nossa hora de entrar e entramos. Ele e todo o Brasil nos ouviram cantar “Só Deus pode mudar esse país de vez, só Deus.”

Esse “Lobo Grande”, é um artista famoso no meio secular, compôs entre outras “Vida bandida” e “Vida louca, vida”. Ele é conhecido por Lobão, um declarado consumidor e defensor da maconha. Pra mim sua rebeldia nada mais é que um grito de socorro.

Ovelhas são aqueles que amam o Bom Pastor, experimentam o seu pastoreio e tem como missão fazer com que todos conheçam o amor genuíno e transformador daquEle que deu sua vida por todos inclusive os “lobos”.

O Lobo Grande não pegou as ovelhinhas, mas ouviu o seu canto. Quem sabe um dia ele conte essa história pra outros “lobos” com mais um capítulo, com outro final. Essa é minha oração.

Um xêro pra quem gosta da gente.

Rubão

13
mai

A Aorta por uma Horta

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

orta-2.jpg Uma tarde de maio, um ano atrás…

Caramba! A exatamente um ano atrás eu recebi uma das piores notícias da minha vida.  – “Você teve uma dissecção da Aorta abdominal”. Mais feio que o nome é o que isso significa.

Comecei a passar mal e corri (2 dias depois) ao médico, afinal eu sou brasileiro e não tinha plano de saúde (e nem tenho, aliás, agora é que ninguém quer fazer, e se quizesse eu não daria conta mesmo). O primeiro médico me disse que era só um problema digestivo e me passou alguns daqueles remédios começados com Diges…(alguma coisa), tem mais de mil nas DROGArias. Com dores horríveis na região abdominal e costas, começei a me preparar psicologicamente pro “pior” uma gastrite braba ou até mesmo uma úlcera. Grawrfrs!!!!

Depois de várias tentativas e vários médicos, fiz uma Endoscopia, uma Ecografia (não deu nada), então fiz uma Tomografia Computadorizada (essa além de cara, mostra até o bofe do sujeito). Depois ainda fiz uma Angiotomografia, nem queira saber o que é isso.

Não esqueço aquela tarde, lá pelas 3h, quando recebi uma ligação. Era o médico (e olha que esse caras não ligam pra ninguém, a não ser que seja paciente antigo, amigo ou no máximo amigo do amigo) Pois o cara me ligou, e foi só aquela vez, até hoje ele não sabe se eu tô tocando na glória ou por aqui mesmo. E eu posso garantir-lhe que ainda estou por aqui. Eu não sou uma “alma”.

Como a doutora que fez o exame é esposa do gastro, ela passou direto pra ele o resultado, daí, ele criou coragem e me ligou. – Boa tarde, aqui é o dr. M… do Hospital Anchieta-DF e eu não tenho boas notícias não. O seu problema é mais sério que pensávamos, seu exame apresentou um rompimento na artéria, por isso, as dores, e você deve fazer 3 coisas urgente:

1- Fique tranquilo, você é forte ( eu pensei: “Forte só se for no suor”).

2 Não faça esforço nenhum ( eu tinha acabado de jogar sabão na área e esfregado) vixii !!!

3- Procure um médico Cardiovascular agora, seu problema é seriíssimo, possivelmente os médicos vão te operar hoje mesmo, isso mata. Quase que eu falei : “Só se for de novo, por que eu acabei de morrer”. É mole?

Eu sentei olhei pra cima e falei – Meu Deus e agora! O médico, que se quer quis me dar o número do celular, acabara de me ligar dizendo que eu tive um estreitamento da aorta, logo após as ramificações para os rins (um tipo de trombose). e que em alguns casos, nem dá tempo de chegar à emergência. É bye Bye Brasil, rumo à glória.

Esse tipo de dissecção dá em: pessoas HIPERTENSAS ( a minha pressão era e é 12/8, mais normal que andar pra frente), pessoas FUMANTES a pelo menos 30 anos (nem que eu quisesse eu daria conta porque sou alérgico do tipo que chora de espirrar), e por último, pessoas acima de 70 ANOS ( eu até tô meio derrubado pra 45, mas nem tanto, as aparências enganam he!!) . Ou seja, eu não estava dentro do perfil, mas o exame era meu. Pra resumir, fui internado imediatamente e o meu médico (esse sim é fera ) pediu pra que eu o autorizasse a fazer cópias dos exames por que meu caso não tem precedente no Brasil e eles queriam estudar, me acompanhar e futuramente lançar em revista especializada. Deus é tremendo! Além de me livrar dessa ainda rola uma chance de ficar famoso. Brincadeira visse!!

Confesso que quando eu recebi a notícia naquela tarde de maio, cheguei a pensar que se eu pudesse, trocaria minha AORTA “fragilizada” por uma HORTA de família de japonês, daqueles viciados em trabalho, que fornecem pra Ceasa. Melhor uma horta pra capinar que uma aorta pra consertar. Me vi  impotente, mas lembrei que sou filho do onipotente e o ONIPOTENTE é aquele que pode todas as coisas. Nada lhe é impossível, quanto mais uma artéria nordestina de 45 anos, rompida.

A moral é que, como passou-se muitos dias até eu ser internado, os médicos concluíram que seria melhor não me operar entendendo que o pico da gravidade (hemorragia interna) já havia passado e que o organismo àquela altura deveria estar absorvendo o coágulo, concordou a junta médica Cardiovascular do Hospital de Base – DF. Se o diagnóstico tivesse sido nos primeiros dias, eles teriam me operado (operação de risco, mas procedimento certo). Essa foi  “por um beiço de pulga”. A cirurgia é aquela que começa abaixo da goela, atravessa os peitos e vai até o Oriente Médio. Credo! No meu quarto tinha um senhor (com mais de 70, hipertenso e fumante a mais 40 anos) operado da dita cuja. O trem é feio cumpadi!

Ainda tomo remédio, sou acompanhado pelo médico e levo uma vida normal sem exageros. Segundo o último exame estou quase zerado. Graças a Deus estou aqui contando a história e posso garantir uma coisa com todas as letras; em nenhum momento eu questionei ou me revoltei contra Deus. Ele é meu Senhor, e além de meu Senhor, Ele é meu Pai, e o Pai sabe o que é melhor pros seus filhos.

Se você conhece alguém que não acredita em Deus, mande vir falar comigo. Eu sou uma prova viva de que Deus existe.

Uma tarde de maio, um ano depois…

Um xêro pra quem gosta da gente.

Rubão

6
mai

Ipê Roxo

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

ipe-varios.jpgÉ mais um fim de tarde… O sol já se esconde por entre os telhados desbotados da cidade e os galhos empoeirados das árvores. Seus raios avermelhados, misturam-se às nuvens cinzentas e sombrias. Mais um fim de tarde, onde a poluição de buzinas e fumaças se junta aos gritos da meninada que sai da Escolinha Pingo de Gente, Brinquedo Mágico, e tantas outras; elas são tão parecidas que parecem a mesma, soltam seus meninos no mesmo “britânico” horário, costumam ter sempre um grandalhão empurrando os mais fracos, um monte de pais que mais parecem não reconhecer seus próprios filhos e pelo menos um gordinho correndo com a camisa toda suada e suja.

O picolezeiro ainda tenta sua última tacada e consegue, com o gordinho é claro! Tudo como no dia anterior.

A cidade esta sendo observada por um homem, no auge dos seus quarenta e poucos, esforçando-se pra aparentar menos. Ele saiu pra sua caminhada diária no calçadão. Tudo como no dia anterior. Aquele moço que sempre caminha de calça preta, óculos escuros, fone no ouvido e um celular não tão pequeno, mas bem ajustado no lado esquerdo da calça, tava lá; também aquela moça que passa correndo com seu cachorrinho de raça não se sabe se pelo simples fato de amar o bichinho, de ter uma companhia ou pela esperança de que alguém peça o telefone do cãozinho; e aquela velhinha que quer ser gatinha e não abre não de forma alguma da sua roupinha de malhação sempre justa àquele diga-se, corpinho;  o playboy tatuado, sempre sem camisa e com uma cara de quem foi à luta (talvez na Segunda Guerra), porque depois disso é inacreditável alguma manifestação nesse sentido; sem falar da bermuda que apesar de grande é visivelmente mantida a um palmo abaixo daquilo que qualquer outro ser vivente usaria. Mas temos que reconhecer que todo calçadão que se preza tem pelo menos meia dúzia desse “tipo”, afinal, quem iria mexer com todas as gatinhas; ah! não podia faltar aquela senhora, certamente pentecostal com seu tênis branquinho e não pelo tênis, mas pelo seu inabalável jeito de compenetrada, um discreto saião geralmente em cor neutra, um inconfundível coque bem arrumado e um ar de quem não está muito à vontade, até porque nem sempre é possível não olhar o que vem pela frente, então o jeito é conviver, pessoas sérias (no caso ela) e com pessoas profanas (os seminus); e pro fim, sempre se destacando entre os outros mortais a rapaziada dos aparelhos disputando barras, paralelas, pranchas de abdominal, marca de tênis, boné, bermudão…Ufa! Quanta cultura! Contando sempre com a providencial paradinha pro “construtivo” bate-papo regado a risadas e uma impressionante concordância sobre tudo; festas, “músicas”, garotas, ostentações, aminoácidos, piadas imorais, vestibular, etc; é claro! alternado com aquela voltinha pra exibir seus músculos, e como acontece em qualquer lugar de malhação do planeta, eles acham que estão bem próximos do Stalone (no auge), é questão de tempo. Realmente, uma eternidade.

Mas é sempre assim, nada chama a atenção, nada de novo, parece que tudo parou, parece que algo triste esta no ar – Pressente o homem. Ah! não sejamos injustos, pensou ele querendo confrontar-se,  tem alguém que tá sempre bem humorado, sorridente, é aquele bombeiro militar que fica lá no último quarteirão do calçadão com uma mesinha e duas cadeiras pra medir a pressão de quem quizer, é de graça, mas poucas pessoas lhe dão atenção, passam de lado e se quer dizem olá! boa tarde, tudo bem? O impressionante é que desta vez, por incrível que pareça nem o bombeiro está transmitindo alegria, ele perece triste, como triste está a tarde e tudo – Pensava o homem.

Já voltando pra casa, desencantado e com um olhar fixo em qualquer coisa bem longe dali, ele percebe como que saindo do nada, aquele Ipê roxo, imponente, perecendo alheio a tudo e a todos como quem diz: eu não me deixo abater. O homem para, e em pensamento conversa com a árvore. Até porque àquela altura do campeonato valia qualquer coisa, nada muito a perder.

-Oi Ipê Roxo! como você consegue se manter tão bonito e colorido com tanta poluição e tantas pessoas mal humoradas? olhe em sua volta que contraste. a prática de esporte com rostos pálidos, saúde e desânimo. Não sei se você vai me entender, mas isso parece coisa do Armagedom, o fim do mundo. Eu heim! Posso imaginar o que você já viu e ouviu de murmuração durante todo esse dia, não deve ter sido fácil.

O Ipê ficou em silêncio balançando-se de um lado para o outro se mexendo todo de tal forma que sua folhagem perecia ter expressão; um rosto com olhos, testa, ouvidos, boca; um rosto. E o seu balançar crescia impressionando ainda mais aquele homem que maravilhado desarmou-se, permitindo ouvir sua voz:

- Não são as pessoas que estão pálidas e tristes e não é o mundo que está acabando, pelo menos por enquanto. É você que não está bem, mas esse sentimento ruim e pesado não combina com você. – Disse em tom forte o Ipê Roxo.

- Ué! Quem disse que você me conhece? e desde quando árvores falam? é você mesmo quem está falando ou isso é uma daquelas pegadinhas sem graça? pra onde devo dar o tchauzinho?  – Questionou o já confuso e desconfiado homem.

O experiente Ipê, com estilo de psicólogo moderno e acostumado a fazer de suas sombras um divã, não deu a mínima e continuou:

- Você é um cara bacana, eu diria até um artista e um artista convive com pessoas e depende delas, do jeito delas, como elas são; “a arte faz de um canto, em qualquer canto um encanto”, porque o verdadeiro artista é aquele que consegue hamonizar arte com simplicidade e isso não é mérito seu e nem meu; quem dera! É daquEle que fez você e eu, o Deus lá de cima que também está por aqui. Nem eu, nem você fomos criados pra tisteza, por isso leve sempre a alegria com você.

Muitas pessoas que você vê chorar, choram porque se alegram contigo, você mesmo é assim, um tremendo chorão; só que eu prefiro te ver sorrindo, pulando, brincando, dançando, e por falar em dançando, posso ser sincero? Não fique bravo não heim! É que tu não estás com essa bola toda. Hehe! mas deixa pra lá! O que importa é sua festa, sua alegria, sua brincadeirinhas muitas delas sem graça, mas é isso que faz bem pra todos nós. Pode acreditar.

- É verdade. – Disse o já não tão desanimado homem.

- Levanta a cabeça rapaz, manda esse baixo-astral pra longe, você está cheio de vida, e só pra lembrar; tem uma galera enorme que te curte assim do jeito que você é. Você é importante cara! Eu boto a maior fé em você.

- É isso aí! você tem razão Ipê, eu estava precisando ouvir essa, tirar a trave do olho; a gente se descuida e cai no erro de achar que é forte e que só os outros se abatem; isso me faz lembrar um provérbio “Quem está em pé, cuidado para que não caia” acho que serve pra você também! (risos), obrigado pela força Ipê. Valeu mesmo!

- De nada! sempre que precissar você já sabe, esse é o point, e; estamos aí, ou melhor aqui.

- Hum! (risos) Mais uma vez, valeu Ipê.

-Valeu!

- Até a manhã.

- Até.

* Engraçado, agora que eu percebi; perto da minha casa tem um calçadão e lá no final sempre fica uma bombeiro e não é que tem um pé de Ipê roxo por lá rapaz! Que coincidência, fiquei de cara.

Um xêro pra quem gosta da gente

Rubão

2
mai

Pequiaçu

   Posted by: Rubao   in Papo aberto

babacu-e-araras.jpgPequiaçu

Jornada e poeira, sol de segunda-feira

alguém tire a roupa do varal

cipó de goiabeira, ipê lá na cumieira

chuva molhou o milharal

folha  de laranjeira, limão e erva cidreira

chá do quinta, fui lá, colhi

misturei babaçu, tucum, murici, juçara

com gabiroba e pequí

No meu Brasil tão rico e farto, juntei cerrado e litoral

cantei de graça, chorei de rir, caí na graça, parei aqui

Carro de boi, catira, monjolo e empadão

viola sapeca um som dos bão

sol do “Mará” na praia com peixe e arroz de cuxá

turista viu Bumba-boi brincar

Goiás Velho tem história, poema dobrando a esquina

prô cê vou ler Cora Coralina

Alcântara tem ruínas, o poeta já dizia

pra tí eu vou ler Gonçalves Dias

 

Mangaba, jatobá, cajá, jambo, jenipapo

pitanga, goiaba dá no mato

um pôr-do-sol no Araguaia. Ah! Quanto bem me faz

Deus foi generoso com Goiás

pitomba, bacurí, ingá, tamarino tem

um doce de buriti cai bem

lençóis que encantam os olhos na ondas que vem e vão

meu Deus! Como é lindo o Maranhão.

 

 Pequiaçu – É uma mistura do Pequí de Goiás com o Babaçu do Maranhão, das belezas do Cerrado do Centro-Oeste com as maravilhas do Litoral do Nordeste.

Agora, se você quizer ouvir essa música “fresquinha”, apareça aqui em casa ou me chame pra ir à sua.

* Me tornei goiano  por adoção, mas sou maranhense de berço e de coração.

 

Um xêro pra quem gosta da gente

Rubão