Eu deveria nesse momento estar assistindo ao Jornal Nacional, mas não aguento mais ouvir a mesma coisa tantas vezes sobre o caso da pequena Isabella, até por que não se acrescenta nada. E, não sei você, mas eu aposto uma biclicleta como já sei quem fez e como fez. Então, pra não ouvir mais uma vez sobre o suposto laudo e o aglomerado de curiosos e revoltados (como eu) na porta dos Nardoni, resolvi desligar a TV e escrever algo. E não será sobre o caso.
Eu tinha doze anos quando minha familia mudou-se de São Luis pra Codó, cidade no interior do Maranhão, e foi a melhor coisa que me aconteceu (só com 17 anos voltei pra fazer o 2º grau na Capital) no dia em que cheguei, ganhei uma bicicleta Monark Barra Circular, cor lilás metálico, ano 1975, lançamento.UAU!! Só pra registrar.
Passei esse feriadão na chácara do Betão (amigo a 22 anos) e levei na mochila o Neto ( amigo a 33 anos) que é também lá do Mará e mora hoje pras bandas de cá.
Entre muitas coisas boas como estar numa chácara bonita, com a bonita familia, acompanhado de amigos não tão bonitos, mas tão queridos que não sinto falta da boniteza e nem de irmãos mesmo sendo filho único ( essa eu vou cobrar de vocês hein! pode esperar hehe!) Ali a gente começou a relembrar da infância e de coisas que nos marcaram, entre elas, o fato de termos assistido pelo menos uns quatro shows de Luis Gonzaga. Isso mesmo, o rei do Baião com seu chapéu de couro, seu gibão ( casaco de couro usado pelos vaqueiros) e seu trio de músicos. Numa dessa vezes como sempre acontecia no final dos shows a meninada estava brincado de guerra de “chupa de laranja” e quando o Neto se abaixou pra pegar mais uma chupa embaixo da caminhão (palco) em frente ao aniversariante, o Armazem Paraíba, o seu Luiz Gonzaga jogou o gibão encima do Neto e disse – Hei menino!! como quem diz – Cuidado com essa brincadeira. Se fosse eu teria feito uma música na hora, mas acredite se quizer; até hoje o Neto não fez nem uma musiquinha se quer pro seu Luiz, eu fico é emcabulado com um cara desse. Deixa pra lá.
Não posso esquecer dos banhos de rio, aliás Codó é cortada pelo rio Itapeuru, e pra quem vai de São Luis ou Teresina tem que passar pela ponte de um rio de nome curioso, o Rio Saco, não me pergunte a história desse rio, eu não sei.
Joquei muita bola na beira do rio, no estádio, na praça da bandeira em frente à minha casa, às vezes era apostado um litro de refresco Ki-Suco, cada time guardava seu litro atrás do trave e no final todos bebíamos aquele suco quente, mas a gente se amarrava. Também foi a época dos primeiros namoricos, sabe aquela namoradinha que nunca rolou nada e o cara fica junrando que abafou e ainda conta pros colegas? Já aconteceu com você ? Pronto! Hehe!!
Foi também ali em Codó City que aprendi meus primeiros acordes e daí, toquei muita viola nos pic-nics, nos retiros da Pib, nas praças, nas calçadas, ah! Tocar viola sentado na calçada era a onda e o detalhe é que a galera ficava ligada no som que tava rolando, uns só porque gostavam, outros porque gostavam e já estavam de olho nos acordes pra aprender, assim era a grande escola da época, na calçada.
Nossa geração era bombardeada e influenciada por Led Zeplin, Bob Marley, Chico, Caetano, Elba, Rita Lee, Fagner, Alceu, Zé, Geraldo Azevedo, VPC e muita gente boa. A gente discutia a letras dos caras. Ainda se faz isso?
Numa das viagens com a banda, estávamos tocando em Nova Iorque-USA, e num dia de folga saimos pro roller básico pelo Central Park, vimos as Torres Gêmeas intactas, a 5ªAvenida, enfim Manhatan (depois eu ainda voltei lá outras 3 vezes. Tô falando só pra esnobar, eu não poderia deixar passar essa. Me desculpe!) Mas, mais interessante que ir várias vezes a NY foi o que me aconteceu na primeira vez (dizem que a gente nunca esquece né?) eu estava encantado com tudo aquilo quando o Allisson bateu no meu ombro e disse – Êêê Rubão! de Codó para o mundo hein!! Pode crer que eu que já estava fragilizado, me desmontei, e além dos olhos embassados, ainda me passou todo aquele filme da terrinha com direito a trilha sonora de seu Luiz e tudo mais. Eu vou dizer uma coisa pra vocês bem aqui; é uma pancada forte. Por isso é que eu assumo:
Eu sou saudosista mesmo, amo o povo que tem minha cara, que tem minha fala, tenho orgulho de cada instante da minha nordestina história e só sai de lá por empurrão do destino pra me tornar mais um dos que engrossam a lista dos retirantes na cidade grande. Cumpadi, quem tem história, cuide da sua.
“Com um violão, uma roda em cada esquina
Tudo é festa, é alegria, é tradição de Maranhão
Eu não sou herói, nem tão pouco o primeiro
Eu só canto minha terra, minha gente, meus irmãos
É questão de honra minha história e poesia
Entre tantas alegrias fui criança do sertão.”
*trecho da música que fiz pra Codó.
Um xêro pra quem gosta da gente
Rubão


